O menino da foto

Antes de desligar o celular para ir dormir, conferi uma mensagem enviada por minha irmã número 2, a Aerllen. Era uma foto do João Pedro com três anos de idade. Foi como se eu tivesse sido empurrada para uma espiral que abriu uma porta cheia de lembranças sensoriais.

A primeira sensação foi a das mãozinhas daquele menino franzino acariciando meu rosto. Às vezes ele fazia das mãos uma moldura e dizia: “Ri, mamãe!”. Com as pequeninas mãos, ele também sacolejava minha cabeça para eu não dormir durante uma brincadeira.

O sorriso daquele menino era tão honesto e a risada tão contagiante, como os são de toda criança saudável e feliz.

Aquele menino da foto era o meu filho, o mesmo que estava no quarto ao lado numa aula online. Mas não são exatamente a mesma pessoa.

João Pedro aos três anos

O João Pedro de hoje sorri menos, é tímido e não parece feliz. Meu filho menino ficou lá atrás e pouco conservou daquela criança cativante. Eu me perdi como mãe no processo entre a segunda infância e a adolescência.

A foto de quase 20 anos atrás me fez ver que ainda não me perdoei por isso.

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