O mar do caminho

Conheci o mar quando eu tinha uns 21 anos. Foi em Fortaleza. Fiquei ali na praia parada olhando para aquela imensidão azul, apaixonada pelo que via. Lembro que usava um anel com uma pedra verde enorme e após sair da água percebi que o anelzão tinha ficado. “Foi a Iemanjá”, disse uma amiga que me acompanhava. Leia mais

A briga com o capim

Hoje eu fui vencida por um pé de capim. Na verdade são vários nem sei quantos brotaram da muda que eu trouxe da rua. Aqui em Santa Catarina tem uma variedade de capins, todos bonitos e, portanto, ornamentais. Esse que me venceu (por enquanto, pois amanhã será outro round) é roxo, com detalhes verdes. Fica alto, bem vistoso. Leia mais

Mais que trilhas

Na quinta-feira (30) encarei uma trilha íngreme, uma hora e meia subindo rumo ao pico da Pedra Branca, um monumento natural da Grande Florianópolis, localizado em São José no limite com Palhoça. Não fui a passeio, mas a trabalho.

Sugeri ao editor uma pauta sobre o Morro da Pedra Branca que é visto de vários pontos da região. A sugestão foi minha, então eu que lutasse para fazer a reportagem. E assim foi.

O sol estava entre nuvens e isso amenizou o calor na trilha, que ocorreu sem problemas. A vista lá do alto é espetacular e todo o esforço foi recompensado.

Subindo rumo à Pedra Branca

No sábado seguinte (1), fui para outra trilha. Dessa vez a passeio, sem compromisso com conteúdo. Os parceiros não eram mais o colega fotógrafo e o guia personagem. A Trilha do Gravatá, no Sul da Ilha de Santa Catarina, era novidade para mim, o Zé Carlos e a Josy.

Pensa num lugar fantástico, não a trilha, o final dela. Lindo, lindo, lindo.

Chegar à Praia do Gravatá, tomar banho no mar azul de águas frescas valeu cada pisada durante um pouco mais de uma hora.

Josy encarando a Trilha do Gravatá

Quis as circunstâncias que a lembrança dessa primeira ida ao Gravatá fosse além da paisagem. Anotamos no livro aberto para 2020 o dia em que o Zé Carlos passou mal e foi resgatado pelo helicóptero da Polícia Militar.

Foi como um filme: Uma trilha no meio do mato dentro de uma metrópole, com uma praia paradisíaca, um salvamento de helicóptero com atendimento digno de todos os elogios.

Agora quando eu passar perto do Gravatá vou me lembrar do Águia chegando para salvar o Zé Carlos, assim como desde o dia 30 penso “já estive ali em cima” quando meus olhos alcançam o Morro da Pedra Branca.

A primeira vista da Praia do Gravatá

Primeiro aninho

Em 2019 passamos a chamar pão francês de pão de trigo, lava jato de lavação, cadela de bucica. A rua principal aqui perde a identidade para ser chamada de Geral. Demoramos um instantinho para entender a lógica.

E também adotamos o diminutivo. “Moço, quero um caldinho [de cana]”. Eu gostei? Mas é claro! Ah, é. Aqui tem caldo de cana por todos os cantos – rural ou urbano. Gostei ainda mais. E churros? Senhor do céu! Praças, cemitério, praia – sempre tem. Ainda bem que tem Pilates também.

Ainda sobre comida: o almoço começa a ser servido às 11h (nos restaurantes). O café da tarde é às 15h. Muitos restaurantes, principalmente pizzarias, abrem a partir das 18h para o jantar.  O lanche mais comum é cachorro-quente prensado.

Ainda não tive vontade e nem coragem de provar o açaí vendido aqui e estou há um ano sem consumir o que há de melhor no Norte. Arrisquei a fazer tapioca com uma goma (argh!) que comprei no supermercado para nunca mais repetir a experiência. Não vou macular as boas lembranças da tapioca do Norte e Nordeste.

Mas no lugar da tapioca tem cuca, tem rosca, tem bolos e biscoitos. Tem uma variedade de queijos e frutas frescas.

Oh, São José, tu és uma beleza, mô quirido!

A mudança e a ponte

No dia 30 de dezembro de 2018 saímos de Porto Velho rumo à São José. Não tínhamos casa, o plano era chegar, visitar imóveis previamente selecionados, escolher e então nos mudarmos. Tudo isso em uma semana. Os primeiros dias não foram fáceis, apesar da vista. Mas como sempre acontece, as coisas se ajeitaram.

Um ano após o início da mudança de cidade estávamos, Zé Carlos e eu, comemorando a volta da Ponte Hercílio Luz. Aquela beleza de estrutura pela qual somos apaixonados. Uma ponte que para nós, assim como para outras pessoas, é o carimbo mais querido no passaporte das férias.

Essa ponte representa um desejo que nasceu em janeiro de 2012 quando do nosso primeiro encontro nessa vida com Florianópolis. Quase oito anos depois, lá estávamos nós e umas 50 mil pessoas festejando a reinauguração do ícone.

A volta da ponte é uma significativa comemoração a esse primeiro ano de nossa corajosa resolução de termos saído do cômodo para o desconhecido.

Nós na Ponte Hercílio Luz

A ponte é do povo

População compareceu à reinauguração da ponte

Dia 30 de dezembro de 2019 entrou para a história de Florianópolis como o dia em que a Ponte Hercílio Luz voltou a ter vida após 28 anos de convulsões involuntárias. Descaso, corrupção, má vontade e outros males consumiram quase três décadas do maior ícone catarinense.

Ontem o esforço de alguns homens e mulheres somado ao incentivo e ao desejo de milhares de pessoas foi compensado pelo sentimento de pertencimento. A ponte é novamente do povo. Ela é dos catarinenses, dos brasileiros e de todo o mundo.  Pertence a todos que respeitam e honram a memória, a história.

Foram R$ 1 bilhão escoados de alguma forma sendo a ponte o motivo, mas não a destinatária. A culpa não é dela, não é da cidade. É de quem não respeitou o dinheiro público. Que os culpados pelos golpes ao erário sejam punidos e que nós, cidadãos, aprendamos a nos mobilizar de verdade, na vida real, para que casos absurdos como esse não tornem a acontecer.

A majestosa Ponte Hercílio Luz

Viva a ponte!

Entrevistas e latidos

Minha primeira experiência com home office foi há muitos anos, quando atuei como freelancer. Recebia a demanda e me organizava para entregar dentro do prazo.  Muitas vezes trabalhei até tarde da noite, atendia a vários clientes ao mesmo tempo.

Meu atual contrato de trabalho é home office, mas com algumas diferenças. Tenho horas a cumprir e ponto a registrar. Dois domingos ao mês trabalho na redação, em Florianópolis.

Ocupo um canto da sala com notebook, telefone, cadernos, blocos e canetas.  E vez ou outra meu espaço de trabalho é invadido por uma Azula carente que deita no meu colo ou coloca a cabeça no meu ombro. Faço um carinho rápido e a despeço.

Azula me observa enquanto trabalho

Dias atrás, meu telefone tocou e a Azula ficou em alerta. Aguardou eu atender a ligação, falar alguma coisa com o interlocutor para então se espreguiçar e soltar um bocejo demorado e barulhento.

“Oi? Não entendi”, disse a pessoa do outro lado da linha.

Noutro dia, estava no meio de uma entrevista Azula e Argus resolveram latir como se o mundo estivesse em chamas. A pessoa riu e eu pedi desculpas. A resposta me tranquilizou: “Tudo bem, eu tenho três”.

Empatia é tudo.

De volta às ruas

Hoje foi meu primeiro plantão de final semana. A pauta é um assunto conhecido por mim, uso proibido de cerol, mas o local da cobertura totalmente novo: a beira mar de Florianópolis. Por enquanto quem ganhou no quesito “quem diria” foi a pauta que eu fiz sobre a estiagem rigorosa nos rios de Santa Catarina. Eu, do Norte, falando sobre estiagem do (e no) Sul. Parece nada, não é?

Durante a semana também conversei com famílias de refugiados da Venezuela, escrevi sobre estacionamento rotativo, lixo nas ruas, serviço de correios. Nada novo, além da empresa, o local e as expectativas.

Primeira pauta na rua. Assunto: lixo na Via Expressa

 

Porque eu amo junho

O céu azul com poucas nuvens e a lua aparente, o ar mais leve. À noite, as estrelas brincam para ver quem é a mais brilhante. Daqui, sinto o coração acariciado por sentimento de alegria e gratidão. Junho é assim para mim desde sempre.

No início havia mais: brincar perto da fogueira, fazer promessas de amizades, dançar quadrilha, comer paçoca e bolo de milho, ah, claro! e muita pipoca. Depois as visitas aos arraiais, o passeio pela cidade para ver as fogueiras de São João. Mais recentemente, organizávamos uma festa em casa, em Porto Velho, onde tínhamos delícias da culinária junina e o melhor que há na vida: amigos. O Arraiá Duzamigo era, principalmente, a minha expressão sobre junho.

Neste ano, o sentimento íntimo não é diferente, o que muda é o ambiente em comum. Não há os festejos como eu conheço, a tradição de arraiais e quadrilhas não faz parte da cultura de São José e Florianópolis. Após muita pesquisa, nada consegui saber sobre eventos juninos. Mas, por acaso, ouvi um carro de som anunciando um arraial. E lá fomos nós. Desnecessário dizer o quanto estava ansiosa para conhecer o hábito festivo do Sul.

Um dos muitos arraiais

A primeira diferença é o horário: aqui as festas começam à tarde para acabar à noitinha. Pelo menos nesse arraial de uma creche comunitária não havia mingau de milho, curau ou arroz doce. O bolo de milho devia ser fantasia. E mesmo assim eu adorei! Tinha pinhão e amendoim na casca, cachorro-quente e paçoca. Que maravilha! Toda a festa tinha como objetivo um bingo de mil reais. Toda comunidade ansiosa para levar a dinheirama para casa. Enquanto não começava a disputa pelas notas, fizeram rifas de bolos, doces e bebidas.

No próximo junho, a festa será em nossa casa. Um arraial com sabores do Sul temperados com recordações do Norte. Anarriê!

Capim e poesia na estrada

Um passeio pode nos fazer relembrar poesia e perceber que há beleza em nossa volta. Mas é preciso estar de alma leve. Foi assim que percebi os capins do caminho para a serra, em São Joaquim (SC). Havia uma variedade deles, brancos, dourados, roxos. Junto a eles, muitas florzinhas com diversidade de cores. Colhi alguns, plantei os enraizados e com os demais fiz um arranjo.

Durante esse processo, um poema não me saía do pensamento, “Capim”, do Djavan.

“Capim do Vale, vara de goiabeira na beira do rio
paro para me benzer
Mãe d’Água sai um pouquinho desse seu leito ninho
que eu tenho um carinho para lhe fazer
Pinheiros do Paraná
Que bom tê-los como areia no mar
Mangas do Pará, pitombeiras da Borborema
A Ema gemeu no tronco do Juremá
Cacique perdeu mas lutou que eu vi
Jari não é Deus mas acham que sim
Que fim levou o amor
Plantei um pé de fuló deu capim…”

Capins e macelas colhidos na estrada

Leia mais