A briga com o capim

Hoje eu fui vencida por um pé de capim. Na verdade são vários nem sei quantos brotaram da muda que eu trouxe da rua. Aqui em Santa Catarina tem uma variedade de capins, todos bonitos e, portanto, ornamentais. Esse que me venceu (por enquanto, pois amanhã será outro round) é roxo, com detalhes verdes. Fica alto, bem vistoso. Leia mais

Passei vergonha à toa

Quem é que não tem uma vergonha de estimação que sua mãe ou pai fez passar quando criança ou adolescente? Eu mesma tenho várias. Mas vou falar apenas de uma dessa coleção. Minha mãe gosta muito de plantas. Sabe muito? A casa dela não tem um jardim, mas uma floresta com espécies variadas. O local funciona também como um hospital, plantinhas dadas como mortas renascem para dar alegria a quem aprecia a vida vegetal.

Essa paixão da minha mãe era o que provocava a atitude que me matava de vergonha. Se ela se engraçasse com uma planta no canteiro de uma casa, era certo que iria pedir “uma mudinha”. Tocava a campainha da casa ou batia palmas e mandava o pedido. E eu fazia cara de paisagem sem folhagens.

Por qual motivo eu não gostava de participar desse momento pedinte? Afinal, ela pedia, não afanava. Pedia somente exemplares de plantinhas que estavam em grande número, sem prejuízo ao conjunto e ao jardineiro.

Quantas mudinhas doadas têm naquele imenso jardim eu não sei. Também desconheço quantos jardins estão mais bonitos com as plantas gentilmente dadas por ela a quem pediu.

Eu sei que, por enquanto, tenho sete plantas trazidas da rua por mim, sendo que três eu pedi, as demais eram nativas de trilhas e estradas. Há também os capins e a macela trazidos da serra.

Entre a “coleção rua”, há um exemplar que trouxe de uma caminhada perto de casa. Coloquei no quintal num vaso improvisado e por meses não se desenvolveu. Então transferi a planta para o chão. Em poucas semanas sua folhagem estava brilhosa e a vida seguiu. Hoje ela floresceu e pelo aplicativo [Lens, do Google] soube seu nome: Canna indica.

Agora sei que passei vergonha à toa.

Canna indica – da rua para o quintal de casa

 

Capim e poesia na estrada

Um passeio pode nos fazer relembrar poesia e perceber que há beleza em nossa volta. Mas é preciso estar de alma leve. Foi assim que percebi os capins do caminho para a serra, em São Joaquim (SC). Havia uma variedade deles, brancos, dourados, roxos. Junto a eles, muitas florzinhas com diversidade de cores. Colhi alguns, plantei os enraizados e com os demais fiz um arranjo.

Durante esse processo, um poema não me saía do pensamento, “Capim”, do Djavan.

“Capim do Vale, vara de goiabeira na beira do rio
paro para me benzer
Mãe d’Água sai um pouquinho desse seu leito ninho
que eu tenho um carinho para lhe fazer
Pinheiros do Paraná
Que bom tê-los como areia no mar
Mangas do Pará, pitombeiras da Borborema
A Ema gemeu no tronco do Juremá
Cacique perdeu mas lutou que eu vi
Jari não é Deus mas acham que sim
Que fim levou o amor
Plantei um pé de fuló deu capim…”

Capins e macelas colhidos na estrada

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