Chega de sofrer, vamos lutar!

No dia seguinte à noite que fiquei (e o Brasil que não dorme) sabendo que a vergonhosa não compra de vacinas é muito pior do que sabíamos até aqui, recebi a notícia que o amigo Adão Gomes não resistiu às complicações da doença e morreu. Jovem e saudável foi contaminado, passou dias na UTI e morreu. Assim como ele, milhares até aqui. Uma Florianópolis inteira desapareceu. Em semanas, talvez poucos dias, será uma Porto Velho. São 511 mil mortos por uma doença que já tem vacina, no país que até há pouco tempo era referência em imunização. Leia mais

Qual é o seu problema?

A pergunta correta é “qual é a sua doença?”. É isso que muita gente que tomou a vacina (no grupo de comorbidades) contra o coronavírus tem escutado. “Ah, olha, só! Você nem parece doente!” – dizem alguns, e eu não sei exatamente se isso é um elogio, transbordamento da inveja – pela imunização alheia – ou a mais pura desconfiança de que o vacinado deu o golpe para receber a primeira dose contra a covid-19. Leia mais

Presente de Páscoa

Domingo de Páscoa. Recebemos, no portão, um casal de amigos queridos. Trouxeram ovos de chocolate feitos pela Suelen. Ela adora presentear. É artesã de mão cheia, criativa e inquieta. Mesmo com o Pierri grudado, ela conseguiu produzir dezenas de doces para parentes e amigos. Ficamos na calçada de casa. Todos de máscaras e distantes. Quem passava na rua estranhava o grupo mascarado e falante, percebi nos olhares. Leia mais

Cidade Invisível e o meu baú de memórias mágicas

Ontem assisti Cidade Invisível, da Netflix, e me lembrei do medo danado que eu tinha do boto me puxar para as profundezas do rio Madeira. Um dia, minhas amigas e eu saímos da Barão do Solimões para irmos ver o pôr-do-sol. No caminho até a Praça do Trem, conversamos sobre o risco que eu poderia correr ao me aproximar da beira do rio. Eu estava menstruada e isso era um grande atrativo para o boto. Ele podia dar um bote e me arrastar para o Madeirão desconhecido. Como boa filha de indígena que sou, respeitei e mantive distância do barranco. Leia mais

Dores multiplicadas Brasil afora

Há dias que o desânimo bate como se não houvesse saída para nada. Às vezes ele se prolonga por semanas. É possível ser indiferente diante de tanta dor e incertezas? Eu acho que não. Afinal, não sou psicopata para ficar insensível a tudo o que está acontecendo no Brasil. Em uma semana dois amigos meus morreram vítimas da covid, em Porto Velho. Ontem, dois amigos do Zé Carlos faleceram. A dor que sentimos ouvindo/lendo notícias sobre o que acontece no país se multiplica dentro do peito quando é alguém que conhecíamos, por quem tínhamos afeição, respeito. Leia mais

O inferno sou eu mesma

Vem de longe um choro que é cortado por soluços e ‘ais’. Tento me aproximar para ver quem sofre e oferecer ajuda mas não consigo. Agora há gritos e xingamentos. Recuo com medo e percebo que estou num ambiente escuro que não reconheço.

“Cadê o meu quarto, onde está a minha casa?” – pergunto a mim mesma tentando entender o que se passava. Quero ordenar meus pensamentos mas o choro desconhecido está mais alto e o local mais escuro. Leia mais

O Natal de 1984

Numa noite de Natal de 1984 eu e minhas irmãs Aerllen e Kárita tivemos um encontro inesperado. Fomos com nossos pais para a ceia na casa de uns amigos num bairro distante do nosso. Dona Ester e seu Zé, gente boa toda a vida, foram nossos vizinhos por muitos anos, nem sei quantos. Mudaram-se e continuamos chamando de vizinha e vizinho. E eles pelos nossos apelidos infantis. Leia mais

A boia da existência

A vida sem esperança é como um jardim com plantas de plástico. Como levantar da cama pela manhã sem a expectativa de que o dia poderá trazer uma boa notícia, sendo ele – o dia – a própria esperança?

Não é fácil estar num dia assim, acreditando que o nada é a melhor companhia. Nesse ano que está quase no fim, houve muitas manhãs, tardes, noites e insones madrugadas perdidas na desesperança. Leia mais