Quem chuta a dor do outro?

Para quem ainda acredita que a pandemia é uma conspiração e que a culpa pelas mortes é dos governadores e prefeitos que receberam um trilhão de dólares da União e que enfiaram nos bolsos;

Para quem se fia na certeza de que a Covid-19 hoje só pega pobre;

Para quem jura que é invenção isso tudo ai; Leia mais

Eu, ex-sedentária

Quando adolescente, fui convocada para participar do time de vôlei da escola. O professor me obrigou mesmo. Segundo ele, era um “desperdício” eu com todo aquele tamanho não fazer nenhuma atividade física. Depois ele viu que era perda de tempo me cooptar para o time dele. Que bom. Eu morria de tédio. Não via graça nenhuma no que as minhas colegas achavam o máximo.

Anos antes dessa experiência volística, vivi bons momentos em quadra na Escola Castelo Branco. Jogava handebol e gostava, contava os dias para as aulas de educação física. Eu tinha 11 anos e todo aquele tamanho, por isso me chamaram. Mas dessa vez o professor não perdeu tempo.

Tempo quem perdeu foi eu por não ter praticado esporte na juventude e nem na vida adulta.  Foram várias tentativas e abandonos de academias, aulas de luta, natação e hidroginástica.

Foi lá pelos final dos 30, quase na chegada dos 40 que eu descobri o que me satisfaz e me faz bem. Mas só cheguei até ele pelas dores. Dor nas costas, nas pernas, na alma. Acúmulo de trabalho que não tem corpo sedentário que suporte.

O pilates salvou minha vida. Eu sou uma devota de Joseph Pilates. Ele lá no céu e eu aqui no solo com todas as professoras maravilhosas que tive até agora, com destaque mais do que especial para minha maior incentivadora e modelo, a querida Neiry.

Em casa sem parar

A coisa é tão séria que eu (quem diria!) faço exercícios em casa. Nesses dias de quarentena a Bruna, a querida fisioterapeuta que nos atende (Zé Carlos também é um fiel rs), preparou aulas para quem não aguenta ficar sem atividade.

Eu gosto de me exercitar, queria fazer mais – quem sabe ainda faça?! Há menos de 15 anos eu jamais imaginaria que a Marcela de hoje, aos 47, estaria louca para correr, levantar pesos, fazer abdominais, subir montanhas e até remar.

A vida é dinâmica e é preciso avançar. Às vezes o que nos falta é um empurrãozinho, pena que, quase sempre, é a dona dor quem nos move. Um viva para a dor no ciático, sem ela eu não teria chegado ao primeiro estúdio de pilates.

Vida sem egoísmo

Cada vida vale.

A do idoso que vive com a saúde debilitada, a da criança que corre cheia de energia, a do garoto que disputa a atenção dos colegas, a do adulto que se divide entre a preocupação com a saúde e a manutenção financeira.

Não importa se negro, branco, feio ou belo. Estar vivo importa. Toda vida tem seu valor. Seja a do sacerdote que aconselha paciência para as horas de angústia, seja a do incauto que avança sobre o direito do outro.

Moradias simples, casas confortáveis, apartamentos luxuosos ou o banco da praça abrigam vidas em metrópoles ou no interior. Aqui ou na Europa, na Ásia ou na África. Não importa onde. Seja onde for toda vida vale.

O doente tem o direito (e o dever!) de querer a saúde assim como o são tem quase uma obrigação de se manter saudável. Relativizar mortes de acordo com idade e classe econômica tem tom de psicopatia no momento em que se pensa apenas em si em detrimento do outro.

Vivemos na matéria e precisamos nos manter vivos, mas que isso não represente a morte da solidariedade. Pela humanidade, devemos cuidar da vida de todos nós.