Alguns por quês sem repostas

O azul é o meu refúgio. Nele eu me alegro e me tranquilizo. Nessa enorme espiral que entramos há um ano nem sempre consigo vislumbrar o céu e me concentrar no azul que há em mim.

São meses de insegurança, incerteza, indiferença coletiva. Há dor, luto, raiva, desesperança, revolta e indignação.

Nesses meses chorei pela morte de amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos. Sofri pela impotência de não poder fazer nada para tirar meu marido da tristeza de tantos pesares.

Estamos vivendo tempos difíceis, todos sabemos. É o nosso tempo. Não adianta comparar com o século x ou y, que foram e não voltam mais. Quem somos nós hoje, no século 21? Os mesmos estúpidos da idade média? Os que pisoteiam a ciência em detrimento de achismos de charlatães? Aqueles que ainda crêem no “se tiver que ser, será”?

Muitos de nós não somos mais essas pessoas. Mesmo não concordando, respeitamos as regras. Contrariados, aceitamos a decisão da maioria. Sem a menor vontade de fazer, fazemos porque é nosso dever, nossa responsabilidade.

Hoje, meu fim de semana de folga, quando Santa Catarina está em “lockdown” eu me pergunto: por que a morte de quase 260 mil pessoas vítimas de covid não sensibiliza milhares de brasileiros? Por que a situação gravíssima de não termos mais leito de UTI não remove alguém da ideia de se aglomerar numa festa clandestina? Por que no país referência mundial em campanhas de vacinação não há vacinas para todos? Por quê?

Cadê o azul que me anima? Eu preciso dele para continuar repetindo por aí que

* ciência salva;
* máscara é a única barreira mecânica contra o coronavírus;
* não existe tratamento precoce;
* se não aglomerar, menor a chance de se contagiar e espalhar o peste;
* não somos ninguém sem o outro;
* direito coletivo se sobrepõe ao individual;
* não somos X-Men

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