Os 50 anos chegaram e eu não estava preparada

O tempo sempre passou com suas horas sem eu nunca ter me dado conta de que ele estava contando cada uma delas. Essa despreocupação durou até os meus 25 anos, quando nasceu o João Pedro, meu filho. Como toda mãe, o medo do tempo daquela criança passar e eu não ver era constante. E foi isso mesmo que aconteceu. As horas passaram, os dias voaram, os anos se esgotaram naquele conta-gotas finito.  Leia mais

Não sou lá de cima

Eu tinha uns 16 anos e procurava emprego com uma amiga, de 18. Naquela manhã a acompanhei até um comércio que existia na rua Brasília, em Porto Velho. O nome do lugar nunca esqueci, Paulista. Um homem branco, alto e estúpido falou, aos gritos, com a minha amiga que não contratava gente da cidade, porque eram pessoas preguiçosas e faltavam ao trabalho em dia de chuva. Leia mais

O dia em que passei a faixa ao presidente do Brasil

“Olha, Lola, Zula, Tena! Olha lá vocês! Vocês estão na posse!” – foi mais ou menos isso que falei para a Aurora, Azula e Atena quando vi, pela TV, a cadelinha Resistência pronta para subir a rampa do Palácio do Planalto com o presidente Lula e o vice Alckmin. Eu nem sabia como segurar tanta emoção dentro do peito. Não era apenas um animal doméstico sem raça e de pelagem preta (que são os mais rejeitados) num espaço de poder. A doguinha estava ali representando a todos os milhares de cães e gatos que estão vagando sem casa e sem amparo por aí. Leia mais

Quero minha saúde mental de volta

Sei que não posso esperar que o externo modifique meu interior, mas está muito difícil me manter tranquila diante de tudo o que está acontecendo no país (e que piorou nos últimos meses).

Como posso achar “que não é nada” associar meninas de 13, 14 anos a sexo? Ouvir um homem de 67 anos dizer que “pintou um clima” e relativizar; sendo que eu mesma fui vítima diversas vezes desse tipo de assédio porque era “grandinha” para a minha idade? Sendo que sou mulher e sei muito bem o que é ser mulher nesse mundo hostil a todas nós? Leia mais

CPX e o preconceito

Ser pobre no Brasil é ter a dignidade atacada diariamente. Ultimamente os ataques têm se intensificado de uma forma, me parece, coordenada. Grupos de pessoas se unem para desqualificar quem mora em favelas dominadas pelas milícias que ali estão porque o estado (governos municipal, estadual e federal) permitiram, fingindo que não viam o crime avançar. Leia mais

Estresse pós-eleições – vai passar!

A sensação que tive foi de que o luto acumulado desde 2020 se abateu sobre mim no domingo, dia 2 de outubro. A tristeza, o desalento, a impotência e a revolta voltaram com tudo e meu corpo e minha mente não suportaram. Com muito esforço tentei me concentrar no trabalho, mas a vontade era de largar tudo e sair correndo. Cheguei em casa pouco antes das 4h de segunda-feira, fui para a cama e de lá só saí para voltar ao jornal, no fim da tarde. Leia mais

A chegada da Aurora

Aurora chegou no dia 18/7 muito magra e assustada. Ao contrário da Atena, resgatada em jan/20, em poucos dias Aurora já estava se sentindo segura. Tão segura, que já roeu cadeira, mesa da TV, derrubou vasos e ofereceu mil sorrisos cheio de festa. Pois é, ela sorri 😊
É uma cadelinha alegre que só precisava de alguém para cuidar dela. Há centenas de milhares de cachorrinho (e gatinho) à espera de uma chance para ser, de fato, um bichinho doméstico. Leia mais

Um show de lembranças

Sou fã dos Titãs “desde os primórdios até hoje em dia” . Quando eu era criança, lá no Pedrinhas, um vizinho tinha um primo de São Paulo que passava férias em Porto Velho e levava discos de presente. Todo mundo ganhava conhecendo gente boa como Os Paralamas e Titãs.

Por toda sorte de adversidades, somente agora – quase 40 anos depois – pude ir ao show dos Titãs, que há algum tempo tem apenas o Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Belotto. Branco está em tratamento de saúde e não pode vir a Florianópolis. Leia mais

As multicores do Mercado Central

Em todas as nossas viagens – sejam no Brasil ou exterior – os mercados sempre estão no nosso roteiro. É neles que podemos conhecer um pouco melhor sobre a cidade que estamos visitando e os hábitos/costumes de seus habitantes. Em São José, onde moramos, não há um mercado público. O espaço de venda e consumo de itens regionais está localizado no Centro Histórico de Florianópolis. Sempre que vou ao Centro tento passar pelo mercado e a busca é sempre a mesma: pimenta de cheiro. Foi lá que encontrei uma vez e comprei a última bandeja com algumas pimentinhas. Leia mais