CPX e o preconceito

Ser pobre no Brasil é ter a dignidade atacada diariamente. Ultimamente os ataques têm se intensificado de uma forma, me parece, coordenada. Grupos de pessoas se unem para desqualificar quem mora em favelas dominadas pelas milícias que ali estão porque o estado (governos municipal, estadual e federal) permitiram, fingindo que não viam o crime avançar.

Se você não esteve fora do país nos últimos três ou quatro dias, deve ter visto algo sobre as consoantes CPX. O ministro das Comunicações, Fabio Faria, fez uma postagem – e apagou depois – associando a sigla à criminosos. Isso porque o candidato do PT à Presidência usou um boné com essas letras numa carreata/passeata/comício no Complexo do Alemão. Ele afirmou que o Lula estava ali, na atividade de campanha, sob a aprovação dos traficantes/assassinos/ladrões.

Esse ministro é o mesmo que “dirigiu” a cena do atual presidente comendo farofa e espalhando tudo com o objetivo de mostrar que Bolsonaro é “simples”. Ou seja, para esses marqueteiros pobre não sabe se comportar à mesa e come feito galinha, ciscando tudo. É claro que a “jogada” pegou mal e a turma correu para apagar. Como sempre, esse tipo de ação era cortina de fumaça para dissimular algo; desta vez o assunto que queriam esconder era o gasto de R$ 29 milhões com cartão corporativo. Espero que quem viu não tenha esquecido – o que é muito possível, já que esquecem os quase 700 mil mortos por covid, mas isso é outra história.

Retomando: o pessoal da campanha do ex-presidente e da Voz da Comunidades correu para explicar o que significa a sigla e reduzir os danos provocados pela irresponsabilidade do homem (teoricamente) responsável pela comunicação oficial da Presidência da República mas, como sabemos, está a serviço da permanência de Bolsonaro no Alvorada.

CPX significa complexo. Complexo de favelas do Alemão, da Maré entre outros agrupamentos de favelas no Rio de Janeiro.

Complexo de entender? Não, de jeito nenhum. É mau-caratismo mesmo.

Com a mentira espalhada na internet de que Lula tem apoio de criminosos, o grupo que tenta a reeleição alimenta o preconceito de seus apoiadores que acreditam que quem mora em favela ou é analfabeto, desqualificado, bandido ou isso tudo junto.

Para potencializar ainda mais o preconceito de seus eleitores, o atual presidente divulgou que Lula obteve vitória em alguns presídios do país, inclusive o Urso Branco, em Porto Velho. Claro que ele não contou que recebeu maioria dos votos na conhecida Papuda, em Brasília.

Mas o que há de errado em receber voto de quem está no presídio? Nada! Primeiro, que os eleitores que votaram de dentro de uma penitenciária não foram condenados, por tanto, não perderam o direito ao voto. Pode ser alguém inocente. Suponho que muitos sejam, considerando que o nosso sistema é muito falho. Nesta semana, um rapaz morreu sem saber que seria solto após ter passado um ano preso injustamente. Sim, ele era pobre.

Tentar vender que organizações criminosas estão ao lado de Lula demonstra o quanto o presidente confia no fanatismo de seu eleitorado que desconhece (ou finge não saber) das ligações nada republicanas de Bolsonaro e seus filhos com as milícias do Rio de Janeiro.

A campanha na TV do PL é cheia de preconceitos com pobres, favelados, negros e todos os excluídos pelo governo nos últimos quatro anos. Caso ocorra a reeleição, as coisas tendem a piorar. Nós representamos a maioria da população brasileira e podemos parar isso. Vamos juntos reconstruir o país?

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