Dias estranhos

Essa semana está sendo bem estranha. Sem querer, soube que na minha Carteira de Trabalho Digital – da qual desconhecia a existência – estou registrada desde 2013 como ‘operadora de máquina pesada’ no Governo de Rondônia. O período entre 2015 e 2018 como coordenadora de conteúdo não aparece na tal carteira. Ainda não consegui resolver esse mistério. Leia mais

Exemplo que arrasta

Mais de 50 mil pessoas morreram de covid-19 até ontem (20). Cinquenta mil vidas se foram vítimas de um vírus que chamamos ‘novo’ mas que já está há muito tempo entre nós destroçando famílias. Muito tempo para tanta morte são quatro meses desde a primeira vítima no Brasil. Bebês, crianças, jovens e idosos de gêneros, idades e classes sociais distintas morreram nesse imenso País, que está há mais de um mês sem um ministro da Saúde. Leia mais

Quem chuta a dor do outro?

Para quem ainda acredita que a pandemia é uma conspiração e que a culpa pelas mortes é dos governadores e prefeitos que receberam um trilhão de dólares da União e que enfiaram nos bolsos;

Para quem se fia na certeza de que a Covid-19 hoje só pega pobre;

Para quem jura que é invenção isso tudo ai; Leia mais

Máscaras que caem

As máscara são o assunto do momento. Seja de algodão, de tecido cirúrgico, de papel toalha ou que o for é preciso colocar uma para sair à rua.

Em um momento ou em outro de nossas vidas já vestimos duas ou 10 máscaras para encarar alguma situação ou até a nós mesmos. Quem nunca respondeu a um cumprimento com um sorriso bem agradável e palavras gentis quando tudo o que queria era reagir de forma contrária não entenderá o que estou dizendo e, provavelmente, não seja nem deste mundo.

A realidade é que as máscaras estão aí. Uns usam menos outros exageram.

E o fato que a pandemia de Covid-19 tem revelado é que as máscaras não vão se sustentar em meio a essa crise que se instalou no planeta.

Os egoístas não conseguem mais disfarçar o quanto se importam apenas com si e ninguém mais. Os tiranos não estão dando conta de segurar a crueldade e vão rasgar o véu, com que ainda tentavam esconder alguma sobriedade, para se apoderar de máscaras alheias, inclusive. Os inaptos, coitados, esses estão sendo expostos pateticamente em rede nacional.

Só não vê quem ainda prefere manter os olhos vendados. Em meio a uma tormenta não é um bom negócio ser cego. Há o risco de ser conduzido por outro sem visão e o caminho ao precipício pode ser inevitável.

O macacão da reflexão

O dia 9 de março passado foi muito esperado por todos nós (três!) aqui de casa. O João Pedro finalmente iria iniciar um curso técnico na área que inspira realizações. No final de semana anterior ao grande dia, fomos ao shopping comprar camisetas novas. Numa das lojas que entramos, fiquei encantada com um macacão que era do jeito que eu não estava precisando, lindo como eu imaginei que queria e com a etiqueta decisiva ‘Liquida’.

Hoje, ao abrir o armário para pegar uma camiseta, me deparei com ele, o macacão que eu comprei “porque sim” há um mês e nunca usei.

As camisetas novas do João Pedro não foram inauguradas. Não deu tempo de usar todas no curso, nos únicos seis dias de aula. A quarentena se estabeleceu e tudo mudou.

Um macacão no fundo do armário, um curso sem aulas, camisetas nas gavetas. O que é isso diante de tudo o que vem ocorrendo nas últimas semanas no Brasil? Isso mesmo! Não é nada!

É uma pequena reflexão sobre a nossa quase que total falta de controle sobre a vida. Digo quase porque podemos controlar algumas coisas sim! Podemos escolher ser pacientes e gentis, generosos e bem humorados. Podemos nos calar diante da vontade de criticar, podemos ser pessoas melhores.

Nossa, mais que clichê, hein?

E não é? O que estamos vivendo hoje no planeta é um lugar comum daquelas palestras de coaching 0800. “Perceba o que o universo quer de você, qual recado está enviando nesse momento?”

E vamos ouvir esse grande coaching que é o coronavírus: volte para casa, repense seus hábitos, reveja conceitos, recrie rotinas e perceba o que realmente tem valor.

No dia que eu aprender essa lição e poder sair de casa, vou de macacão novo.