Um pé de vida

Uma queda me fez pensar na fragilidade da vida, que num instante está cheia de certezas para em seguida se perder no vazio de dúvidas. Num momento estava conversando sobre a preservação da Mata Atlântica e no outro estava caída com o pé direito virado para trás. Ao descer uma escada na casa de uma entrevistada pisei num degrau solto. Essa mesma escada havíamos subido e descido algumas vezes naquela tarde de quarta-feira quando produzíamos a reportagem sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Comentei com o meu amigo Anderson Coelho sobre termos feito a trilha do Morro da Pedra Branca sem nenhum incidente digno de nota e ali estávamos numa pauta tranquila, segura e diante de um acidente de trabalho.

Meu primeiro acidente de trabalho em 22 anos de jornalismo. Escorregar no barranco do rio Madeira não conta. Aqueles escorregões geravam mais riso do que constrangimento ou dor. Repórter na Amazônia que nunca escorregou numa beira de rio, não sei, talvez esteja ficando demais na caixinha da redação.

Eu (quase) sempre peço ao sair da casa para que eu possa voltar. Naquele dia falei com o Zé Carlos: “Se tudo sair como o planejado, lá pelas 17h ou 18h estarei de volta”. Não deu. Às 18h estávamos, Anderson, Vilmar e eu, na icônica fila da Via Expressa tentando chegar no Hospital da Unimed.

Pé direito torcido e fé na vida. Eu tenho.

Dias de molho e reflexão

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