Cidade Invisível e o meu baú de memórias mágicas

Ontem assisti Cidade Invisível, da Netflix, e me lembrei do medo danado que eu tinha do boto me puxar para as profundezas do rio Madeira. Um dia, minhas amigas e eu saímos da Barão do Solimões para irmos ver o pôr-do-sol. No caminho até a Praça do Trem, conversamos sobre o risco que eu poderia correr ao me aproximar da beira do rio. Eu estava menstruada e isso era um grande atrativo para o boto. Ele podia dar um bote e me arrastar para o Madeirão desconhecido. Como boa filha de indígena que sou, respeitei e mantive distância do barranco. Leia mais

Zé Gotinha, o sensato

O Zé Gotinha é o símbolo do Brasil que se comprometeu com a Ciência quando a poliomielite ameaçava a vida de crianças e alguns pais resistiam à vacinação. O personagem foi criado para atrair as crianças até o posto, era o amiguinho engraçado e legal que pingava a gotinha salgada e balançava o cabeção. Leia mais

Dei férias para mim

Estive durante 15 dias de férias do jornal, após 16 meses de trabalho. Tudo inédito. Primeiras férias do ND, primeira viagem interestadual partindo de Santa Catarina, voo e passeios no meio da pandemia de covid-19. Também foi a primeira vez que ficamos hospedados na casa de Dona Nilta, minha estimada sogra. Passamos cinco dias com ela, que completou 90 anos de idade de muita vitalidade no dia 15 passado. Leia mais

O portovelhês nosso de cada dia

Porto Velho completou ontem (2), 106 anos de fundação e hoje ao acordar meu segundo pensamento foi: queria tomar café lá no Mercado Central. Iria pedir mingau de banana com tapioca e uma tapioca com manteiga e castanha. Café para acompanhar. Taí uma saudade.

Uma coisa levou à outra e eu me lembrei de um texto que fiz para um caderno especial do Diário da Amazônia em homenagem ao aniversário de Porto Velho. Isso foi em 2007. Treze anos correram desde então. E esse texto foi o que me aproximou do Zé Carlos, o homem do Banzeiros – ou teria sido o contrário? Bom, isso é outra história. Leia mais

Aquela Secom

A Secom foi o meu último grande desafio profissional em Rondônia. Fui convidada pelo Domingues Junior e pela Edna Okabayashi para ser a coordenadora de conteúdo do governo e aceitei meio às cegas. Como “jornalista de redação” entendia que algo precisava ser feito para que o material produzido pela equipe da assessoria de comunicação fosse da mais alta palatabilidade. Tinha que ter relevância e ser atraente. Foi com a ideia de transformar a Secom numa agência de notícias que começamos o trabalho, sempre apoiados pela Edna e o Domingues. Leia mais

Exemplo que arrasta

Mais de 50 mil pessoas morreram de covid-19 até ontem (20). Cinquenta mil vidas se foram vítimas de um vírus que chamamos ‘novo’ mas que já está há muito tempo entre nós destroçando famílias. Muito tempo para tanta morte são quatro meses desde a primeira vítima no Brasil. Bebês, crianças, jovens e idosos de gêneros, idades e classes sociais distintas morreram nesse imenso País, que está há mais de um mês sem um ministro da Saúde. Leia mais

Um pé de vida

Uma queda me fez pensar na fragilidade da vida, que num instante está cheia de certezas para em seguida se perder no vazio de dúvidas. Num momento estava conversando sobre a preservação da Mata Atlântica e no outro estava caída com o pé direito virado para trás. Ao descer uma escada na casa de uma entrevistada pisei num degrau solto. Essa mesma escada havíamos subido e descido algumas vezes naquela tarde de quarta-feira quando produzíamos a reportagem sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente. Leia mais

Um 1º de maio histórico

O Dia do Trabalhador deste ano é histórico. Milhares de desempregados, milhares de trabalhadores sem expectativas e cheios de dúvidas.

A partir desse 1º de maio, minha jornada de trabalho e meu salário foram reduzidos em 25%. A situação não está fácil, mas há colegas de profissão desempregados e outros que tiveram maior perda salarial.

O navio é um só e estamos todos nele. Alguns mais à proa e a maioria agarrada à popa. Se a remada continuar desigual, o naufrágio é mais à frente. Sem um comandante que conduza a embarcação, parece que teremos que enfrentar a grande tormenta que se aproxima.

Esse talvez não seja o caso de um bote salva-vidas. Talvez um motim.

Nove meses de home office

Desde julho passado, quando comecei no Jornal Notícias do Dia, faço teletrabalho. A apuração é feita por telefone, aplicativo e e-mail. Claro que em muitas pautas preciso sair e então vou e volto de Uber. Tenho minha própria redação, mas cumpro as cinco horas contratuais, que são registradas no aplicativo da empresa. O contato com a redação – localizada no Morro da Cruz, em Florianópolis – é, basicamente, pelo WhatsApp.

Os primeiros três meses foram de adaptação ao home office. Muito barulho, entra e sai, distrações, cães latindo e por aí vai. Agora os demais ocupantes da casa entenderam como funciona, que eu estou trabalhando e preciso estar concentrada.  Os cães nem sempre conseguem resistir ao caminhão da coleta de lixo ou a um colega cachorro que passa na rua, por isso, sempre antes de começar uma entrevista por telefone deixo eles presos.

Também aprendi a parar de verdade para fazer o intervalo de 15 minutos.  Aproveito para passar um café e dar atenção aos carentes Argus, Azula e Atena.

Eu moro e trabalho no mesmo lugar, sendo que faço dupla jornada – sou dona de casa e jornalista, portanto, respeitar horários é fundamental. Meu tempo máximo na cozinha é até as 13h para que eu possa começar meu turno jornalístico às 14h.

Nesses dias de quarentena, quanto ao home office, para mim está tudo certo, pois esse é meu modo de trabalho há nove meses. Não precisei comprar álcool em gel para minha bancada porque há água e sabão por perto.

Quanto a não sair de casa, aí é outra história.