O portovelhês nosso de cada dia

Porto Velho completou ontem (2), 106 anos de fundação e hoje ao acordar meu segundo pensamento foi: queria tomar café lá no Mercado Central. Iria pedir mingau de banana com tapioca e uma tapioca com manteiga e castanha. Café para acompanhar. Taí uma saudade.

Uma coisa levou à outra e eu me lembrei de um texto que fiz para um caderno especial do Diário da Amazônia em homenagem ao aniversário de Porto Velho. Isso foi em 2007. Treze anos correram desde então. E esse texto foi o que me aproximou do Zé Carlos, o homem do Banzeiros – ou teria sido o contrário? Bom, isso é outra história. Leia mais

Aquela Secom

A Secom foi o meu último grande desafio profissional em Rondônia. Fui convidada pelo Domingues Junior e pela Edna Okabayashi para ser a coordenadora de conteúdo do governo e aceitei meio às cegas. Como “jornalista de redação” entendia que algo precisava ser feito para que o material produzido pela equipe da assessoria de comunicação fosse da mais alta palatabilidade. Tinha que ter relevância e ser atraente. Foi com a ideia de transformar a Secom numa agência de notícias que começamos o trabalho, sempre apoiados pela Edna e o Domingues. Leia mais

Exemplo que arrasta

Mais de 50 mil pessoas morreram de covid-19 até ontem (20). Cinquenta mil vidas se foram vítimas de um vírus que chamamos ‘novo’ mas que já está há muito tempo entre nós destroçando famílias. Muito tempo para tanta morte são quatro meses desde a primeira vítima no Brasil. Bebês, crianças, jovens e idosos de gêneros, idades e classes sociais distintas morreram nesse imenso País, que está há mais de um mês sem um ministro da Saúde. Leia mais

Um pé de vida

Uma queda me fez pensar na fragilidade da vida, que num instante está cheia de certezas para em seguida se perder no vazio de dúvidas. Num momento estava conversando sobre a preservação da Mata Atlântica e no outro estava caída com o pé direito virado para trás. Ao descer uma escada na casa de uma entrevistada pisei num degrau solto. Essa mesma escada havíamos subido e descido algumas vezes naquela tarde de quarta-feira quando produzíamos a reportagem sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente. Leia mais

Um 1º de maio histórico

O Dia do Trabalhador deste ano é histórico. Milhares de desempregados, milhares de trabalhadores sem expectativas e cheios de dúvidas.

A partir desse 1º de maio, minha jornada de trabalho e meu salário foram reduzidos em 25%. A situação não está fácil, mas há colegas de profissão desempregados e outros que tiveram maior perda salarial.

O navio é um só e estamos todos nele. Alguns mais à proa e a maioria agarrada à popa. Se a remada continuar desigual, o naufrágio é mais à frente. Sem um comandante que conduza a embarcação, parece que teremos que enfrentar a grande tormenta que se aproxima.

Esse talvez não seja o caso de um bote salva-vidas. Talvez um motim.

Nove meses de home office

Desde julho passado, quando comecei no Jornal Notícias do Dia, faço teletrabalho. A apuração é feita por telefone, aplicativo e e-mail. Claro que em muitas pautas preciso sair e então vou e volto de Uber. Tenho minha própria redação, mas cumpro as cinco horas contratuais, que são registradas no aplicativo da empresa. O contato com a redação – localizada no Morro da Cruz, em Florianópolis – é, basicamente, pelo WhatsApp.

Os primeiros três meses foram de adaptação ao home office. Muito barulho, entra e sai, distrações, cães latindo e por aí vai. Agora os demais ocupantes da casa entenderam como funciona, que eu estou trabalhando e preciso estar concentrada.  Os cães nem sempre conseguem resistir ao caminhão da coleta de lixo ou a um colega cachorro que passa na rua, por isso, sempre antes de começar uma entrevista por telefone deixo eles presos.

Também aprendi a parar de verdade para fazer o intervalo de 15 minutos.  Aproveito para passar um café e dar atenção aos carentes Argus, Azula e Atena.

Eu moro e trabalho no mesmo lugar, sendo que faço dupla jornada – sou dona de casa e jornalista, portanto, respeitar horários é fundamental. Meu tempo máximo na cozinha é até as 13h para que eu possa começar meu turno jornalístico às 14h.

Nesses dias de quarentena, quanto ao home office, para mim está tudo certo, pois esse é meu modo de trabalho há nove meses. Não precisei comprar álcool em gel para minha bancada porque há água e sabão por perto.

Quanto a não sair de casa, aí é outra história.

Entrevistas e latidos

Minha primeira experiência com home office foi há muitos anos, quando atuei como freelancer. Recebia a demanda e me organizava para entregar dentro do prazo.  Muitas vezes trabalhei até tarde da noite, atendia a vários clientes ao mesmo tempo.

Meu atual contrato de trabalho é home office, mas com algumas diferenças. Tenho horas a cumprir e ponto a registrar. Dois domingos ao mês trabalho na redação, em Florianópolis.

Ocupo um canto da sala com notebook, telefone, cadernos, blocos e canetas.  E vez ou outra meu espaço de trabalho é invadido por uma Azula carente que deita no meu colo ou coloca a cabeça no meu ombro. Faço um carinho rápido e a despeço.

Azula me observa enquanto trabalho

Dias atrás, meu telefone tocou e a Azula ficou em alerta. Aguardou eu atender a ligação, falar alguma coisa com o interlocutor para então se espreguiçar e soltar um bocejo demorado e barulhento.

“Oi? Não entendi”, disse a pessoa do outro lado da linha.

Noutro dia, estava no meio de uma entrevista Azula e Argus resolveram latir como se o mundo estivesse em chamas. A pessoa riu e eu pedi desculpas. A resposta me tranquilizou: “Tudo bem, eu tenho três”.

Empatia é tudo.

De volta às ruas

Hoje foi meu primeiro plantão de final semana. A pauta é um assunto conhecido por mim, uso proibido de cerol, mas o local da cobertura totalmente novo: a beira mar de Florianópolis. Por enquanto quem ganhou no quesito “quem diria” foi a pauta que eu fiz sobre a estiagem rigorosa nos rios de Santa Catarina. Eu, do Norte, falando sobre estiagem do (e no) Sul. Parece nada, não é?

Durante a semana também conversei com famílias de refugiados da Venezuela, escrevi sobre estacionamento rotativo, lixo nas ruas, serviço de correios. Nada novo, além da empresa, o local e as expectativas.

Primeira pauta na rua. Assunto: lixo na Via Expressa

 

O lixo na TV

A TV do laboratório estava ligada e sem som (ainda bem) num programa que repetia a imagem do prefeito que ficou ferido ao acender uma fogueira. Antes de conseguir uma cadeira fora do alcance das imagens desnecessárias, vi legendas que chamavam atenção para uma diversidade de casos de violência, tragédia e infelicidade.

Eram 7h, a recepção estava lotada e a programação que, parece, anunciava o fim do mundo, era acompanhada por algumas pessoas. Talvez se houvesse som a audiência fosse maior. Primeiro impacto é o nome do programa. Nunca havia ouvido falar. Até pensei ser local, mas ao chegar em casa e pesquisar vi que se trata de um nacional do SBT.

O canal do Silvio Santos, que praticamente extinguiu o jornalismo de sua grade, mantém um programa matinal de péssima qualidade ancorado no sensacionalismo e na preferência do público que consome sorrindo a desgraça alheia.

Em uma hora é possível observar muitas coisas. As pessoas que assistiam àquilo não tinham um celular nas mãos. As que não acompanhavam a sanguinária matinal estavam ocupadas em distrair crianças ou se (des)informando pelo Whatsapp. E eu observava tudo fazendo meu julgamento travestido de análise social.