Zé Gotinha, o sensato

O Zé Gotinha é o símbolo do Brasil que se comprometeu com a Ciência quando a poliomielite ameaçava a vida de crianças e alguns pais resistiam à vacinação. O personagem foi criado para atrair as crianças até o posto, era o amiguinho engraçado e legal que pingava a gotinha salgada e balançava o cabeção.

Entre risos e desconfiança, tinha a agulhada, mas daí, o imunizante já estava na corrente sanguínea botando o sarampo e companhia para correr. Conheci o Zé Gotinha quando criança. Já nem fazia parte do grupo de vacinação, mas ia ao posto apenas para vê-lo. Adulta, ele foi o meu parceiro para distrair o meu filho na fila da campanha. 

Personagem do tempo em que o Ministério da Saúde brasileiro era referência internacional em campanhas de imunização, o Zé Gotinha protagonizou nesta quarta-feira (16), no evento de lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a covid-19, em Brasília, um gesto condizente com o que o amigo da Ciência representa. Zé Gotinha recusou o aperto de mão do presidente Bolsonaro.

E por que o Zé fez isso? É do protocolo sanitário: nada de cumprimentos físicos. Gotinha é sensato e trabalha há 40 anos divulgando e incentivando a imunização de crianças e adultos, por tabela. Imagina se ele iria jogar no lixo o seu histórico apenas para satisfazer alguém que ri da Ciência? 

No tal evento, o Zé Gotinha era um dos poucos presentes que utilizava máscara. Isso é, sem dúvida, um bom resumo de 2020. 

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