Condutor da mudança

Zé Carlos ao volante da vida

Dias atrás, após ouvir um homem comentar que as coisas não eram fáceis para ele porque já havia passado dos 60 anos de idade, parei para pensar e me dei conta que em nenhum momento, até ali, eu havia perguntado ao Zé Carlos se a mudança de Rondônia para Santa Catarina não o intimidava. Afinal, ele estava próximo dos 63. Não vejo problema algum em estar envelhecendo, ao contrário!  Sessenta anos são o novo 40tinha com alguns bônus.

Três décadas atrás ele saiu de Belo Horizonte para Porto Velho porque foi contratado para um freelance de 15 dias e acabou ficando (ainda bem!) todo esse tempo.  Em dezembro passado iniciou nova fase. Tudo novo, desafiador. O frio na barriga e o medo de algo sair fora do planejado, claro, existem. E isso é muito positivo. A sensação gostosa de viver nos move adiante . E o receio nos direciona a ficarmos atentos à luz amarela. Se você passou dos 40 e prestou atenção, aprendeu que cautela não faz mal.

Um sexagenário (eita!) pegar sua família, colocar no carro, atravessar o país e chegar onde gostaria de estar é ou não inspirador? Ver alguém se movendo para fora da sua quentinha, fofinha e perfumada área de conforto é transformador ou, no mínimo, pode fazer você refletir se os tênis são confortáveis ou se se ajustaram aos seus calos. Ou você talvez ainda esteja descalço.

Severino quer mudar

Tenho uma família relativamente grande, se considerar tios e primos com os quais não tenho ou nunca tive contato algum. Mas se contar apenas os próximos é bem pequena, mãe, irmãos e sobrinhos – e agora minha tia, que está bem próxima. Mudei-me para Santa Catarina e ela mora ali, na Ilha, e eu aqui, no Continente. Coisas da vida.

Nessa madrugada sonhei com o pai dela, meu avô, também pai do meu pai. É o único avô que conheci, seo José Severino Duarte. Como dizia papai, “sorte sua não ser ‘Severina'”, ele Alcides Severino da Silva. Severino, vô? Poderia ter batizado papai de Duarte. Já pensei nisso:  Marcela Ximenes Duarte e não ‘da Silva’. Mas, hoje, estou bem com o sobrenome do meu pai – tanto que o mantive ao casar e adotar o Sá do Zé Carlos.

No sonho vovô sorria, do jeito que eu o conheci quando estivemos todos em Campo Grande no início dos anos 80. Não era uma viagem de férias, estávamos lá para consultas médicas, mas era como se fosse, afinal, éramos crianças conhecendo a família do papai.

Meu avô era mineiro, meu pai também. Não sei a história, o porque de a família ter se mudado para Mato Grosso e depois Mato Grosso do Sul. Meu pai serviu ao Exército em Cuiabá. Depois foi para o Amazonas e por fim, Rondônia, onde continuou trabalhando nas Forças Armadas por um tempo até conhecer minha mãe, casarem, ele sofrer um acidente e ser dispensado.

Vovô e papai, no sonho, tratavam de mudança. Queriam ir para outra terra e eu não lembro qual. Pará, Rio Grande do Sul, Ceará? Não importa. Os dois homens planejavam viajar em breve. Desse sonho, ficou na minha lembrança nitidamente a voz do papai e o sorriso do vovô. Sem dúvida, um jeito alegre de começar o dia, a semana, o mês, de recomeçar. Obrigada pela visita, meus queridos.

Viagem de 120 horas com dois cachorros

Azula Dora Milaje, uma princesa com todas as raças <3
Argus Maximus, Dachshund ciumento e amoroso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nossa maior preocupação para a viagem de mudança era o Argus Maximus e a Azula Dora Milaje, nossos cãezinhos. Como eles reagiriam a 5 dias dentro de um carro sem passar mal, enjoar e nos incomodar, claro, com choro e birras? Pesquisamos sobre viagem de carro com cachorro e a maioria das experiências era de curta duração, nada perto das 120 horas que encararíamos.

Consultamos o veterinário deles, dr Pedro, que nos tranquilizou, receitou o remedinho abençoado (Acepran), atualizou o cartão de vacinação, deu os atestados para viagem e orientou para que fizéssemos paradas a cada 3h, se possível, de acordo com o comportamento deles. Pronto.

Inicialmente, cheguei a cogitar vir apenas com o Argus e Azula seguir de avião com o João Pedro. Ela é tranquila e o Argus é meio aperreado e muito apegado a nós. Mas não tive coragem. Pensei na possibilidade de ela passar mal, se soltar, morrer. Conversei com Zé Carlos e João Pedro e eles concordaram em virmos todos juntos no carro, 3.450 quilômetros de estrada. Esse número eu repito sempre. Tente falar em voz alta e você sentirá a força dos 3.450 km rs.

Argus nunca gostou de passear de carro. Nunca mesmo. Tem 5 anos e não se acostuma. Sempre que vê a nossa movimentação em preparar o carro para um passeio, fica agitado, aparentemente ansioso e, geralmente, pula para o banco traseiro e fica lá com carinha feliz (pelo menos é o que parece). Mas é só sairmos da garagem de casa que começa a gritaria, uivos, choro. Um escândalo até o pet shop. Na volta sempre volta tranquilo. Não entendo esse comportamento antagônico.

Azula, que dia 22/2 completará 1 ano, sempre fica tranquila no carro. Nos primeiros passeios à clínica veterinária babava muito, dr Pedro explicou que ela enjoava. Com o passar do tempo isso acabou, mas ela continua uma miss em comportamento.

 

No terceiro dia de viagem estavam mais amigos

 

Demos a dose de Acepran recomendada pelo veterinário e tudo seguiu bem. Saímos num domingo chuvoso de Porto Velho e em poucos quilômetros eles estavam dormindo. No carro estavam com peitoral preso ao cinto de segurança. Nada de caixas ou caminha. Forramos o banco do carro com mantas para que se sentissem confortáveis e seguros. Argus foi ao lado do João Pedro porque sente ciúmes da Azula.

A primeira parada foi em 100 quilômetros, no município de Itapuã do Oeste, para o café da manhã. Essa experiência não foi nada legal, pois a chuva continuava, mas nada que atrapalhasse. Não quiseram beber água e nem comer, acho que estavam meio sem entender o que estava acontecendo. Segue o baile.

Nosso pernoite naquele domingo, 30/12, foi em Vilhena. Ficamos no Hotel Colorado. Nessa acomodação eles podiam andar pelos corredores, sem necessidade de serem carregados no colo. Tudo tranquilo. Levamos as caminhas dele, bebedouros e preparamos um banheiro com jornais. Sonho de anjinhos até às 5h30, quando levantávamos e íamos passear com eles. Para comermos, um de nós ficava com eles enquanto 2 comiam, ou ao contrário.

 

Primeira noite da viagem. Dormiram tranquilos em suas caminhas

 

Nossas paradas não foram de 2 ou 3 horas. Era inviável isso e vimos também que não era necessário. Inviável porque não tinha onde parar e quando havia um bom acostamento, estava chovendo. Mas sempre que parávamos, o João Pedro caminhava e corria com eles. Até levou para passear num pasto, onde a Azula quis encarar uma vaquinha rs.

Quanto ao remédio,  demos as gotinhas para a Azula nos 2 primeiros dias. Percebemos que não era necessário, pois ela ficava quieta, dormia a maior parte do tempo. O tempo máximo que o Argus ficou sem o remédio foi 2h. Como disse, ele não gosta de carro.

 

Importante passear com os dogs em paradas programadas

 

Todos os hotéis foram reservados. Pesquisei na Booking os que aceitavam pets. Como as hospedagens eram na estrada foi mais fácil.  Os hotéis foram em Vilhena, Hotel Colorado; Várzea Grande, Marion Pantanal Hotel; Londrina, London Hotel; Joinville, Alpinus Hotel. Nesses dois últimos, eles deviam ser carregados no colo, mas isso não é demérito para as acomodações. Ainda bem que elas estavam na nossa rota!

Em Florianópolis ficamos hospedados na Casa do Sossego, em Cacupé, e ó, nota 10! Os dogs puderam correr, brincar, rolar na grama sem medo de serem enxotados. Muito boa a hospedagem para cachorrinhos e humanos.

Se você pretende viajar com seus dogs, vá sem medo. Apenas se organize, você conhece seus bichinhos, sabem como podem reagir, então esteja preparado. Importante dar água sempre, mesmo quando eles rejeitarem, insista – precisei fazer isso com Azula, a mais resistente. Leve brinquedos, mantas, objetos que eles gostam para que se sintam seguros. Quando parar, passei com eles, faça carinho, converse rs peça paciência porque “está quase chegando”. Ah, importante forrar bem o banco do carro. Acho que daqui a 10 anos ainda encontrarão pelos dessa viagem dentro do Sandero. E quem liga, né? Tudo valeu a pena e é o que importa.

Deixe o banco bem confortável para que se sintam seguros e à vontade no espaço

Três mil 450 km de mudança

Fim da missão. Bagageiro pronto.

Saímos no domingo, dia 30/12, bem cedinho. No sábado, passamos o dia cuidando de colocar tudo no bageiro do carro. Para isso contamos com a família. Cada um foi fundamental para que tudo desse certo. Última noite em Porto Velho passamos na casa da Kárita, João Pedro dormiu na casa do Fábio, Azula e Argus ficaram na agora ex-casa.

Quando voltamos à 4634 para buscar os cães e dar aquela última conferida – se nada estava ficando para trás – passeei pelos cômodos da casa, acariciei suas paredes como havia feito há 10 anos quando tomamos posse de seu espaço. Fui ao jardim e me despedi das plantas que ficaram, agradeci a todas por ter convivido conosco todo esse tempo, aos passarinhos pela companhia diária. Pronto. Acabou ali a história com a casa da rua Bandeirantes.

Embarcados por cinco dias

Todos embarcados e parecia que estávamos indo ali num passeio. Muita expectativa no ar. Como será que reagiríamos ao deixarmos a Terra de Rondon dali a 700 quilômetros? Gratidão foi o que sentimos a passarmos na segunda-feira, após pernoite em Vilhena, na divisa Rondônia/Mato Grosso. Zé Carlos deu umas buzinadas e gritamos: Obrigada, Rondônia! Gratidão por esse estado maravilhoso onde nasci, cresci e vivi por 45 anos.

Nesses 5 dias de viagem, o terceiro pernoite foi em Campo Grande na casa de amigos queridos que acolheram a todos nós com carinho e a quem somos gratos. Maristela, Bibo, Flaviane, Fábio, Fabielli, Dinho, crianças, Roxy – muito obrigada!

Amigos Maristela e Bibo, que nos acolheram em Campo Grande

Passamos por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná até entrarmos em Santa Catarina. Nesses quase 3,5 mil quilômetros de estrada, de convivência praticamente ininterrupta – só não íamos juntos ao banheiro, a maioria dos dias foi leve e agradável. Houve momentos de tensão, cansaço e mau humor – os cães às vezes se agitavam, o trânsito parava, a chuva não dava trégua.

Tudo superado. Chegamos a Florianópolis, onde ficamos hospedados enquanto resolvíamos a compra da nova morada, numa manhã alegre para todos, principalmente para os cães que puderam correr e brincar como há dias não faziam. Para ficar anotado: chegamos dia 4 de janeiro, aniversário de 37 anos de instalação de Rondônia.

Uma nova etapa estava se concretizando.

Do Norte para o Sul

2018 chegando ao fim com grandes mudanças. Quase 3,5 mil quilômetros de mudança. Sair do Norte e ir para o Sul nunca foi minha intenção até conhecer Florianópolis em janeiro de 2012. A paixão surgiu assim, instantaneamente, o amor fixou morada em pouco tempo e o desejo de morar nesse lugar encantador foi se firmando com o passar dos anos.

Cinco anos depois, voltamos a Santa Catarina, desta vez por Curitiba. Eu intimamente pensava: “Meu Deus, e se eu sentir que é lá que quero estar, o que vou fazer com essa vontade?”. Quando chegamos à Floripa e o coração disparou tive certeza. A partir de janeiro de 2017 começaram os tijolinhos do pensamento se fixarem com o cimento da positividade. Planos foram feitos e desfeitos até a decisão tomada em junho deste ano quando voltamos à Floripa e conhecemos Angelina, Santo Amaro da Imperatriz, Rancho Queimado e Urubici.

Ao retornarmos para casa, pusemos mãos à obra porque um sonho não se concretiza só com brisa. Casa à venda, bazar no jardim, pensamento 100% na mudança até o começo de 2019 para SC.

Hoje, último domingo na casa que nos acolheu por 10 anos, penso no quanto é possível mudar na nossa vida. Enquanto há vida deve haver sonhos, planos, desejos. O aprendizado de 2018 é: sonhe o possível, acredite, trabalhe para que ele se realize. Mas dê prazo para tudo. Não adianta sonhar com algo para o resto da vida, gastar sua energia em um sonho impraticável. A meta é sua, estabeleça suas regras usando de bom senso. Haverá quem critique e te desestimule. Essas pessoas servem para aprumarmos o rumo dos planos. Ajustes feitos, siga em frente.

Nós seguiremos de Porto Velho a Florianópolis, três humanos e dois cães – uma família. Parece Sessão da Tarde, mas é a vida em movimento.

Josy ajudou muito na alimentação do ‘já deu certo’

A história da casa

Há 10 anos nos mudamos para a rua Bandeirantes. Era o começo oficial de uma nova família. Estávamos morando juntos há alguns meses, mas de forma improvisada na kitnet do Zé Carlos. Dois adultos e uma criança. Nada parecido com o quarto apertado de décadas passadas, claro.

Foi uma verdadeira saga até, enfim, mudarmos para nossa casa. Para começar, foi difícil encontrá-la. Procuramos nos bairros que queríamos morar, e nada! Levamos cano de muito corretor, que marcava e não aparecia. Visitamos casas esquisitas e outras cheias de energia desagradável. Eu não aguentava mais tanta demora. Precisava entregar a minha ex-casa para o novo dono. Então não teve jeito. Fomos João Pedro e eu para o apêzinho do Zé Carlos.

Até que numa tarde recebo de uma colega de trabalho um classificado. Era ela! O telhado bonito, o pinheiro imponente. Vi tudo isso numa minúscula foto. No dia seguinte fomos conhecê-la. Zé Carlos muito a contragosto, porque a casa estava localizada fora da área delimitada por ele: Nada depois da avenida Guaporé! E a casa amarela ficava após a avenida Mamoré (isso dá algumas largas quadras).  Gostei de tudo! A cozinha imensa, o quintal com uma palmeira, um gramadinho.

Iniciamos o processo de compra e longos meses depois mudamos. Domingo, 14 de setembro de 2008. Eu abracei as paredes, beijei o ar, comemorei. João Pedro correu para a rua, havia meninos da idade dele. Era possível brincar. Todos felizes juntos. Reformamos a casa, fizemos um jardim de inverno, deixamos os outros jardins do nosso jeito. Cinco anos depois chega o novo morador, que transformou a vida de todos, Argus Maximus.

Na casa que passamos a viver e planejar nossas vidas, muitas alegrias, algumas doenças, mas muita união. Amigos queridos reunidos, família sempre presente, arraial no jardim, reuniões na cozinha.

Neste ano, por minha insistência, chegou mais uma moradora, a cadelinha mais doce da face da terra – Azula Dora Milaje. Assim como aconteceu com o Argus, Zé Carlos estava meio refratário, mas durou pouco. João Pedro meio enciumado (pelo Argus) tentou ignorar a Azulinha, sem sucesso. Todos juntos em meio a pelos e marcas de patas nas roupas.

Dez anos depois estamos nos mudando. A casa, hoje azul, ficará cheia de energia do amor que emana uma família em um lar.

Vamos para uma nova casa, numa nova cidade, decorar do nosso jeito, encher de plantas e de planos, continuar a vida e construirmos mais uma década juntos.

Viagens que me escolhem

Há alguns anos, tomei gosto por viajar e passei a me organizar para isso. Anotava feriados, possíveis folgas e planejava a viagem, mesmo sem saber ao certo o destino. Dependia do preço da passagem. Queria ir a São Luís, mas não dava? Opa, vamos então para Aracaju. Preços estão ótimos e podemos aproveitar para ficarmos uns dias em Salvador. E assim foi feito. Teve um ano que fomos duas vezes a Mato Grosso, passagens baratíssimas e feriados não faltavam. Mesmo estado, destinos distintos: primeiro, Chapada dos Guimarães e no feriado seguinte fomos conhecer as águas transparentes de Nobres.

Nesses 10 anos de viagens, voltamos a Paraty (RJ), Ouro Preto (MG), Florianópolis (SC) e Fortaleza (CE), nesse caso porque participamos de um evento na cidade, mas depois partimos para Lagoinha, um lugar que gostaríamos muito de voltar.

Sei de pessoas que vivem as mesmas férias: vão para a mesma cidade, se hospedam no hotel de sempre e repetem os mesmos passeios.  Certa vez, insisti com uma pessoa para que ela mudasse o destino, falei de alguns na mesma região, e ela ficou muito chateada (rs). Disse-me que ia para a tal cidade porque já sabia que gostava, não queria correr o risco de ir para outro lugar e se decepcionar.

Não consigo imaginar como deve ser a vida de quem repete o destino das férias por medo de não gostar. Enquanto escrevo, me vem à lembrança os locais para onde fui sem esperar muito e que me surpreenderam, e outros que não me provocaram vontade alguma de um dia voltar. Mas eu fui.

Viagem ao Peru em 2016

Essas idas e vindas por cidades, vilas, interiores deixaram em mim as mais variadas impressões. Conversei com tanta gente, indaguei sobre seus costumes diferentes dos meus, comi comidas estranhas ao meu ‘menu’ diário, ouvi tantas histórias, assisti a cenas inéditas da vida.

Enquanto me for possível, não quero me prender a possibilidade do ‘não’. Eu escolho o ‘sim’.

Minha primeira e difícil mudança

Eu nasci e vivi até os 13 anos na rua José Bonifácio, bairro Pedrinhas, em Porto Velho. No centro do mundo, do meu mundo. No dia que papai colocou a casa à venda minhas irmãs e eu ficamos bem descontentes. Mas ninguém ficou mais desesperada do que eu.

No dia da mudança, lembro-me bem, me agarrei ao telefone e não queria largar, falando com uma grande amiga – da qual não tenho notícias há uns 30 anos, pelo menos -, seria o fim da minha vida viver longe dela, oh Deus! Eu chorava, esperneava em cima do caminhão da mudança. Que cena!

Mudamos para o fim do mundo, a rua Tancredo Neves, no recém-nascido Jardim Eldorado. “Socorro, cadê o jardim daqui? Só tem poeira, nesse lugar horroroso!”. O Pedrinhas era o bairro mais lindo do mundo para mim, só perdia para o bairro da minha avó em Campo Grande/MS. Era só o que eu conhecia.

Durante não sei quanto tempo, minhas irmãs e eu íamos passar os domingos no lindo Pedrinhas. Não lembro como essa rotina de matar a saudade cessou.

Quero viver livre de preconceitos

Talvez tenha sido quando resolvemos viver a realidade e aproveitar a companhia dos novos amigos da vizinhança. Nos adaptar a um bairro totalmente diferente do nosso querido Pedrinhas. Era tudo diferente. As ruas, as casas, os comércios, as pessoas.

A diferença entre as ruas José Bonifácio e Tancredo Neves continua até hoje. A rua do Pedrinhas, lá onde nasci, continua na mesma. A do Eldorado é uma grande via de acesso aos demais bairros que surgiram logo depois. Não lembra nada daquela rua de faroeste.

Em mim também ocorreram mudanças. Hoje resta muito pouco daquela menina cheia de medos e preconceitos e eu tenho apenas a agradecer.

No aguardo

Minha casa está à venda há dois meses, nesse período muitas pessoas entraram em contato, algumas visitaram o imóvel, outras marcaram e não apareceram.

Eu apenas sorrio e aceno, pacientemente, aguardando o novo proprietário chegar.