Cidade Invisível e o meu baú de memórias mágicas

Ontem assisti Cidade Invisível, da Netflix, e me lembrei do medo danado que eu tinha do boto me puxar para as profundezas do rio Madeira. Um dia, minhas amigas e eu saímos da Barão do Solimões para irmos ver o pôr-do-sol. No caminho até a Praça do Trem, conversamos sobre o risco que eu poderia correr ao me aproximar da beira do rio. Eu estava menstruada e isso era um grande atrativo para o boto. Ele podia dar um bote e me arrastar para o Madeirão desconhecido. Como boa filha de indígena que sou, respeitei e mantive distância do barranco. Leia mais

Dores multiplicadas Brasil afora

Há dias que o desânimo bate como se não houvesse saída para nada. Às vezes ele se prolonga por semanas. É possível ser indiferente diante de tanta dor e incertezas? Eu acho que não. Afinal, não sou psicopata para ficar insensível a tudo o que está acontecendo no Brasil. Em uma semana dois amigos meus morreram vítimas da covid, em Porto Velho. Ontem, dois amigos do Zé Carlos faleceram. A dor que sentimos ouvindo/lendo notícias sobre o que acontece no país se multiplica dentro do peito quando é alguém que conhecíamos, por quem tínhamos afeição, respeito. Leia mais

A boia da existência

A vida sem esperança é como um jardim com plantas de plástico. Como levantar da cama pela manhã sem a expectativa de que o dia poderá trazer uma boa notícia, sendo ele – o dia – a própria esperança?

Não é fácil estar num dia assim, acreditando que o nada é a melhor companhia. Nesse ano que está quase no fim, houve muitas manhãs, tardes, noites e insones madrugadas perdidas na desesperança. Leia mais

Zé Gotinha, o sensato

O Zé Gotinha é o símbolo do Brasil que se comprometeu com a Ciência quando a poliomielite ameaçava a vida de crianças e alguns pais resistiam à vacinação. O personagem foi criado para atrair as crianças até o posto, era o amiguinho engraçado e legal que pingava a gotinha salgada e balançava o cabeção. Leia mais

Tas boa, nêga?

Gosto um tanto de sotaques (uns mais outros menos). Alguns parecem ter musicalidade, um ritmo. Ficaria ouvindo um tempão. Nessa viagem a Minas encostei na sombra de uma árvore lá em São Gonçalo do Rio das Pedras (vê que nome mais bonito?!) para ouvir a prosa de quem passava.

“Tem base não”, “Ô aqui procê ver se isso é assim messs”, “Com Deus, viu?” – foram algumas das frases que pesquei da conversa entre duas amigas (suponho, porque uma perguntou pela mãe da outra) que se encontraram na rua uma indo e outra voltando da escola para fazer a rematrícula do filho ou filha. Leia mais

Tapioca com angu

Foi preciso eu sair de férias para quebrar um jejum forçado de quase dois anos. Na pousada em que ficamos em Milho Verde (MG), comi uma tapioca de verdade que me remeteu à qualidade das tapiocas de Porto Velho. Goma fresca, sem conservante, sem cheiro e gosto esquisitos. Comi como se fosse a minha última refeição nessa existência. Até disse para Deus – para logo me arrepender – que poderia morrer ali, depois de ter comido aquela delícia. Ainda bem que Ele não me deu ouvidos e então pude devorar mais pastéis de angu na saída da noite. Leia mais

O mar do caminho

Conheci o mar quando eu tinha uns 21 anos. Foi em Fortaleza. Fiquei ali na praia parada olhando para aquela imensidão azul, apaixonada pelo que via. Lembro que usava um anel com uma pedra verde enorme e após sair da água percebi que o anelzão tinha ficado. “Foi a Iemanjá”, disse uma amiga que me acompanhava. Leia mais

A briga com o capim

Hoje eu fui vencida por um pé de capim. Na verdade são vários nem sei quantos brotaram da muda que eu trouxe da rua. Aqui em Santa Catarina tem uma variedade de capins, todos bonitos e, portanto, ornamentais. Esse que me venceu (por enquanto, pois amanhã será outro round) é roxo, com detalhes verdes. Fica alto, bem vistoso. Leia mais