Chega de sofrer, vamos lutar!

No dia seguinte à noite que fiquei (e o Brasil que não dorme) sabendo que a vergonhosa não compra de vacinas é muito pior do que sabíamos até aqui, recebi a notícia que o amigo Adão Gomes não resistiu às complicações da doença e morreu. Jovem e saudável foi contaminado, passou dias na UTI e morreu. Assim como ele, milhares até aqui. Uma Florianópolis inteira desapareceu. Em semanas, talvez poucos dias, será uma Porto Velho. São 511 mil mortos por uma doença que já tem vacina, no país que até há pouco tempo era referência em imunização.

Como não se dobrar de dor diante de tamanha tragédia? Como não soluçar pela perda de um amigo que simboliza a partida dolorosa de tantas outras pessoas? Impossível não lembrar de todos os outros amigos que se foram neste e no ano passado vítimas do coronavírus. Dividir o pranto com o Zecarlos, afogar as minhas lágrimas nas dele e sentir todo o peso desse luto coletivo fez a minha indignação se agigantar.

Estamos enlutados por todos que partiram e que poderiam ainda estar aqui e não estão. Não foi “porque Deus quis”, não foi “porque todo mundo vai morrer”. Não precisa ser coveiro para saber que o número de covas abertas país afora já passou do limite do aceitável há muito tempo.

Quem pode e não faz nada para que essa situação mude é cúmplice desse morticínio sim!

Nós, que sentimos a dor do outro e estamos cansados desse pesadelo, devemos honrar a memória de todos que partiram e não aceitarmos mais sermos governados por senhores da morte. A vida é nosso direito e queremos viver num Brasil civilizado onde a maioria se importa e não desdenha do sofrimento alheio.

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