O Natal de 1984

Numa noite de Natal de 1984 eu e minhas irmãs Aerllen e Kárita tivemos um encontro inesperado. Fomos com nossos pais para a ceia na casa de uns amigos num bairro distante do nosso. Dona Ester e seu Zé, gente boa toda a vida, foram nossos vizinhos por muitos anos, nem sei quantos. Mudaram-se e continuamos chamando de vizinha e vizinho. E eles pelos nossos apelidos infantis. Leia mais

Dei férias para mim

Estive durante 15 dias de férias do jornal, após 16 meses de trabalho. Tudo inédito. Primeiras férias do ND, primeira viagem interestadual partindo de Santa Catarina, voo e passeios no meio da pandemia de covid-19. Também foi a primeira vez que ficamos hospedados na casa de Dona Nilta, minha estimada sogra. Passamos cinco dias com ela, que completou 90 anos de idade de muita vitalidade no dia 15 passado. Leia mais

O mar do caminho

Conheci o mar quando eu tinha uns 21 anos. Foi em Fortaleza. Fiquei ali na praia parada olhando para aquela imensidão azul, apaixonada pelo que via. Lembro que usava um anel com uma pedra verde enorme e após sair da água percebi que o anelzão tinha ficado. “Foi a Iemanjá”, disse uma amiga que me acompanhava. Leia mais

Com sabor e afeto

Quando eu estava no jardim de infância, levava na lancheira pão com manteiga e nescau. Às vezes quando sinto um aroma parecido o tempo para e eu volto àqueles dias. Eu não lembro nada de quando tinha quatro anos de idade e estudava no Branca de Neve. Minha única recordação é do cheiro de manteiga misturado com o doce do achocolatado. Leia mais

Cheirinho de vida

Segurança, conforto, alegria, vida pulsando. Acordar pela manhã e sentir o cheiro do café é a certeza de que o Zé Carlos está bem e eu estou viva.

Essa é a minha prova matinal de que ganhei mais um dia para viver ao lado de quem amo. Eu disse isso e ele se surpreendeu. Não imaginava que o cafezinho preparado para a família tinha assim tanto significado, além da benção de termos o alimento à mesa. Leia mais

Dias estranhos

Essa semana está sendo bem estranha. Sem querer, soube que na minha Carteira de Trabalho Digital – da qual desconhecia a existência – estou registrada desde 2013 como ‘operadora de máquina pesada’ no Governo de Rondônia. O período entre 2015 e 2018 como coordenadora de conteúdo não aparece na tal carteira. Ainda não consegui resolver esse mistério. Leia mais

Aproveita o embalo

Nas últimas três semanas tenho sonhado com o meu pai em situações cotidianas, aquelas que não damos importância. Hoje entrei numa conversa sobre suculentas no grupo de whatsapp dos meus irmãos e disse: “Por falar nisso, eu fiz hoje um brigadeiro com chocolate a 80%!”. E depois completei: sonhei com o papai. Leia mais

O menino da foto

Antes de desligar o celular para ir dormir, conferi uma mensagem enviada por minha irmã número 2, a Aerllen. Era uma foto do João Pedro com três anos de idade. Foi como se eu tivesse sido empurrada para uma espiral que abriu uma porta cheia de lembranças sensoriais.

Feminidades

Nesta semana a minha irmã número cinco (são seis), a Dani, fez um procedimento cirúrgico delicado e significativo para uma mulher. Para impedir o desenvolvimento de um tumor, ela retirou o útero. Foi tudo muito rápido, uma semana entre o diagnóstico, que veio após exame de rotina, e a histerectomia.

Por motivos diferentes, minha irmã número dois, a Kárita, passou por essa cirurgia no ano passado. Em dezembro de 2014 eu “estreei” nessa experiência. Também foi rápido. Uma dor misteriosa interrompeu um final de semana num hotel fazenda no interior de Rondônia. Primeira avaliação deu apendicite, mas não era. Agradeço a essa dor, que não tinha relação alguma com o problema, ter me mostrado o que eu precisava saber .

A cirurgia que minhas irmã e eu passamos não tem relação genética, pois eram problemas diferentes. Se coincidência existisse, eu diria que essas histerectomias “entre irmãs” é um grandessíssimo exemplo de sincronia universal.

O macacão da reflexão

O dia 9 de março passado foi muito esperado por todos nós (três!) aqui de casa. O João Pedro finalmente iria iniciar um curso técnico na área que inspira realizações. No final de semana anterior ao grande dia, fomos ao shopping comprar camisetas novas. Numa das lojas que entramos, fiquei encantada com um macacão que era do jeito que eu não estava precisando, lindo como eu imaginei que queria e com a etiqueta decisiva ‘Liquida’.

Hoje, ao abrir o armário para pegar uma camiseta, me deparei com ele, o macacão que eu comprei “porque sim” há um mês e nunca usei.

As camisetas novas do João Pedro não foram inauguradas. Não deu tempo de usar todas no curso, nos únicos seis dias de aula. A quarentena se estabeleceu e tudo mudou.

Um macacão no fundo do armário, um curso sem aulas, camisetas nas gavetas. O que é isso diante de tudo o que vem ocorrendo nas últimas semanas no Brasil? Isso mesmo! Não é nada!

É uma pequena reflexão sobre a nossa quase que total falta de controle sobre a vida. Digo quase porque podemos controlar algumas coisas sim! Podemos escolher ser pacientes e gentis, generosos e bem humorados. Podemos nos calar diante da vontade de criticar, podemos ser pessoas melhores.

Nossa, mais que clichê, hein?

E não é? O que estamos vivendo hoje no planeta é um lugar comum daquelas palestras de coaching 0800. “Perceba o que o universo quer de você, qual recado está enviando nesse momento?”

E vamos ouvir esse grande coaching que é o coronavírus: volte para casa, repense seus hábitos, reveja conceitos, recrie rotinas e perceba o que realmente tem valor.

No dia que eu aprender essa lição e poder sair de casa, vou de macacão novo.