Segredo de irmãs

Aos 16 anos precisei trocar de escola e de rotina pelo mesmo motivo que tantos outros adolescentes: trabalho. Estudava à tarde, no Centro de Porto Velho, na tradicional Barão do Solimões – a escola mais antiga de Rondônia, e fui transferida para a Eduardo Lima e Silva, no bairro Floresta – vizinho ao Eldorado, onde morava. Estudar à noite não estava nos meus planos para tão cedo, na verdade, naquela época eu não planejava nada. Em pouco tempo, minhas irmãs Aerllen e Kárita seguiram a mesma trajetória.

Íamos para a escola a pé, era uma boa pernada para quem já estava cansada. Certa noite, antes das 19h30, estávamos quase na metade do caminho quando fomos surpreendidas por um clarão no céu. Paramos, silenciosas. Logo depois, a luz ficou nítida e identificamos o que nos pareceu uma nave espacial. O objeto estava ali, na nossa frente. Em segundos, talvez menos, ele riscou o céu e desapareceu.

Uma vivência única, daquelas que podem ser usadas numa mensagem pós-morte para se confirmar a autenticidade, se tornou quase um segredo. Para quem poderíamos contar que havíamos visto um disco voador sem que fossemos motivo de piada? Apenas para nossos pais.

Mais de 30 anos depois, a história que é nossa, que lembramos com detalhes, está marcada também em nossas peles. O dia que o ET não nos levou.

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