As multicores do Mercado Central

Em todas as nossas viagens – sejam no Brasil ou exterior – os mercados sempre estão no nosso roteiro. É neles que podemos conhecer um pouco melhor sobre a cidade que estamos visitando e os hábitos/costumes de seus habitantes. Em São José, onde moramos, não há um mercado público. O espaço de venda e consumo de itens regionais está localizado no Centro Histórico de Florianópolis. Sempre que vou ao Centro tento passar pelo mercado e a busca é sempre a mesma: pimenta de cheiro. Foi lá que encontrei uma vez e comprei a última bandeja com algumas pimentinhas. Leia mais

Recortes de reencontros

Os dias em Porto Velho passaram ligeiros como a friagem de junho em Rondônia – rapidinho e quase nem dá para aproveitar o clima gostoso sem o calor sufocante. Mesmo assim, foram ótimos. Reencontramos muitos amigos e revimos a família. Todos queriam saber como é morar longe de todos os bem-amados, como é o frio, as pessoas do Sul do país, a comida e a saudade. Leia mais

Uma cartinha e um mundo

Pensando em oferecer algo regional que ela sabe o quanto eu gosto, a Elaine preparou um surpreendente bolo de tucumã – que nem eu nem Zecarlos conhecíamos. Sabor delicado e marcante, como a boleira. O afeto estava ali naquela sala. Mas havia mais. A Eluane e a Eline (que nasceu quando já havíamos nos mudado) fizeram muita festa para nós. Surpresa pela recepção, perguntei à Eluane se ela ainda lembrava mesmo de mim. A resposta positiva veio seguida de um envelope. Aí eu já nem tinha mais pernas para me sustentar. No envelope, as letrinhas ainda inseguras diziam: “Café datardi cua Marsela”. Leia mais

É farinha, moço

Se num quiz alguém perguntar o que um nortista traz na mala após uma viagem à terrinha, pode responder sem medo de errar: farinha! Foi o que eu trouxe na bagagem em setembro, quando estivemos em Porto Velho. Foi a nossa primeira viagem após a mudança, em dezembro de 2018. Minha irmã Kárita fez a feira para mim, providenciou farinha seca e farinha de tapioca. Eu complementei com feijão de praia, charque e pimenta de cheiro. Até pensei em trazer goma para fazer tapioca, mas desisti com receio de ter a mala revirada no raio-x do aeroporto. Conheço algumas pessoas que passaram pelo constrangimento de serem revistadas porque a goma tem aparência semelhante a cocaína. Pois eu deveria ter comprado alguns quilos (de goma)! Leia mais

Os meus sabores de Porto Velho

Porto Velho entrou para a lista de cidades visitadas por mim e pelo Zécarlos e para a hashtag #viagensmarcelaezecarlos no instagram. Como turistas, passeamos pelas ruas já conhecidas, fomos a quase todos os restaurantes (outrora) preferidos, conferimos os pontos turísticos e outros nem tanto. 

Da listinha que fiz de lugares que queria rever, o icônico pôr do sol na beira do rio Madeira ficou de fora. Pensa no toró! Nos dias em que não houve chuvarada, estávamos do outro lado da cidade, o que não nos impediu de apreciar aquele ceuzão alaranjado de fim de tarde. Um espetáculo! Leia mais

Chega de sofrer, vamos lutar!

No dia seguinte à noite que fiquei (e o Brasil que não dorme) sabendo que a vergonhosa não compra de vacinas é muito pior do que sabíamos até aqui, recebi a notícia que o amigo Adão Gomes não resistiu às complicações da doença e morreu. Jovem e saudável foi contaminado, passou dias na UTI e morreu. Assim como ele, milhares até aqui. Uma Florianópolis inteira desapareceu. Em semanas, talvez poucos dias, será uma Porto Velho. São 511 mil mortos por uma doença que já tem vacina, no país que até há pouco tempo era referência em imunização. Leia mais

Cidade Invisível e o meu baú de memórias mágicas

Ontem assisti Cidade Invisível, da Netflix, e me lembrei do medo danado que eu tinha do boto me puxar para as profundezas do rio Madeira. Um dia, minhas amigas e eu saímos da Barão do Solimões para irmos ver o pôr-do-sol. No caminho até a Praça do Trem, conversamos sobre o risco que eu poderia correr ao me aproximar da beira do rio. Eu estava menstruada e isso era um grande atrativo para o boto. Ele podia dar um bote e me arrastar para o Madeirão desconhecido. Como boa filha de indígena que sou, respeitei e mantive distância do barranco. Leia mais

O Natal de 1984

Numa noite de Natal de 1984 eu e minhas irmãs Aerllen e Kárita tivemos um encontro inesperado. Fomos com nossos pais para a ceia na casa de uns amigos num bairro distante do nosso. Dona Ester e seu Zé, gente boa toda a vida, foram nossos vizinhos por muitos anos, nem sei quantos. Mudaram-se e continuamos chamando de vizinha e vizinho. E eles pelos nossos apelidos infantis. Leia mais

Com sabor e afeto

Quando eu estava no jardim de infância, levava na lancheira pão com manteiga e nescau. Às vezes quando sinto um aroma parecido o tempo para e eu volto àqueles dias. Eu não lembro nada de quando tinha quatro anos de idade e estudava no Branca de Neve. Minha única recordação é do cheiro de manteiga misturado com o doce do achocolatado. Leia mais

O portovelhês nosso de cada dia

Porto Velho completou ontem (2), 106 anos de fundação e hoje ao acordar meu segundo pensamento foi: queria tomar café lá no Mercado Central. Iria pedir mingau de banana com tapioca e uma tapioca com manteiga e castanha. Café para acompanhar. Taí uma saudade.

Uma coisa levou à outra e eu me lembrei de um texto que fiz para um caderno especial do Diário da Amazônia em homenagem ao aniversário de Porto Velho. Isso foi em 2007. Treze anos correram desde então. E esse texto foi o que me aproximou do Zé Carlos, o homem do Banzeiros – ou teria sido o contrário? Bom, isso é outra história. Leia mais