O inferno sou eu mesma

Vem de longe um choro que é cortado por soluços e ‘ais’. Tento me aproximar para ver quem sofre e oferecer ajuda mas não consigo. Agora há gritos e xingamentos. Recuo com medo e percebo que estou num ambiente escuro que não reconheço.

“Cadê o meu quarto, onde está a minha casa?” – pergunto a mim mesma tentando entender o que se passava. Quero ordenar meus pensamentos mas o choro desconhecido está mais alto e o local mais escuro. Leia mais

A boia da existência

A vida sem esperança é como um jardim com plantas de plástico. Como levantar da cama pela manhã sem a expectativa de que o dia poderá trazer uma boa notícia, sendo ele – o dia – a própria esperança?

Não é fácil estar num dia assim, acreditando que o nada é a melhor companhia. Nesse ano que está quase no fim, houve muitas manhãs, tardes, noites e insones madrugadas perdidas na desesperança. Leia mais

Enquanto uns negam, milhares morrem

No começo da pandemia, com tudo tão mais incerto quanto agora, muito se falou na mudança que o isolamento social poderia influenciar no comportamento humano. As dificuldades de quem tem menos tocariam profundamente quem tem mais, geraria empatia em todos e em pouco tempo seríamos novas pessoas. Menos egoístas, com certeza. Empáticos sim, como não? Leia mais

A briga com o capim

Hoje eu fui vencida por um pé de capim. Na verdade são vários nem sei quantos brotaram da muda que eu trouxe da rua. Aqui em Santa Catarina tem uma variedade de capins, todos bonitos e, portanto, ornamentais. Esse que me venceu (por enquanto, pois amanhã será outro round) é roxo, com detalhes verdes. Fica alto, bem vistoso. Leia mais

Cheirinho de vida

Segurança, conforto, alegria, vida pulsando. Acordar pela manhã e sentir o cheiro do café é a certeza de que o Zé Carlos está bem e eu estou viva.

Essa é a minha prova matinal de que ganhei mais um dia para viver ao lado de quem amo. Eu disse isso e ele se surpreendeu. Não imaginava que o cafezinho preparado para a família tinha assim tanto significado, além da benção de termos o alimento à mesa. Leia mais

Primavera em nós

Pelo calendário astronômico, às 10h31 de hoje (22) começou oficialmente a primavera no Brasil. Isso não significou que o frio foi embora, o sol apareceu e todas as árvores recobraram o verde. Não, nada disso. Mudança não tem dia e nem hora marcada para acontecer, mas tem um processo que começou antes e, às vezes, nem percebemos. Leia mais

A carola que restava em mim

Uma cena da série Fleabag (Amazon Prime) me causou inesperada indignação e revolta. Quase dei um pulo do sofá quando o personagem de Andrew Scott beijou Phoebe Waller-Bridge. Eles estavam num confessionário e se agarraram desatando a paixão contida em episódios anteriores. Qual o problema? Ah, mas você não sabe? Ele é O Padre. Leia mais

A samaúma

Ela é como uma folha que se desprende da árvore e sai rodopiando, levada por uma brisa. Gira, gira e depois se esconde perto de um arbusto onde bate sol e a terra é fértil. A folhinha não estava destinada a ser adubo. Não esse adubo e não agora. Nem ela sabia que tinha essa força. Anos sendo balançada de um lado para o outro à vontade do vento ou de alguém que balançava a árvore. Ela já estava meio madura quando um vento mais forte a arrancou ali do tronco que a segurava. Leia mais