Aquela Secom

A Secom foi o meu último grande desafio profissional em Rondônia. Fui convidada pelo Domingues Junior e pela Edna Okabayashi para ser a coordenadora de conteúdo do governo e aceitei meio às cegas. Como “jornalista de redação” entendia que algo precisava ser feito para que o material produzido pela equipe da assessoria de comunicação fosse da mais alta palatabilidade. Tinha que ter relevância e ser atraente. Foi com a ideia de transformar a Secom numa agência de notícias que começamos o trabalho, sempre apoiados pela Edna e o Domingues.

Formada por jornalistas experientes , com passagens por grandes veículos ou assessorias, à Secom juntaram-se profissionais jovens, alguns com experiência, outros começando a caminhada na comunicação. Independente disso, um complementava o outro, como num grande time. Pode até parecer meio lugar comum, mas, sem medo de ser piegas, a Secom era um timaço.

Em alguns momentos (quem nunca?) eu tive que assobiar e chupar cana, como dizia meu pai. Mas isso só aconteceu antes de eu conhecer as habilidades de cada um que estava ali comigo naquele começo. Depois disso, nadamos de braçadas, tudo sincronizado. Essa metáfora é um oferecimento do meu desejo não realizado de ser nadadora.

Cobertura de eventos, da agenda do governador, resolução de problemas, pautas impossíveis, fontes difíceis? Chama a Cris Cruz e a Elaine Barbosa. Claro que a expertise delas não se resume a isso e se fosse, tava muito bom. Elas são muito boas no que fazem, conhecem e entendem o valor da notícia e a urgência da imprensa. Sim, no governo há notícias, as mais variadas (pelo menos no que eu trabalhei). É claro que também há o que não é notícia e é sempre um exercício de boa vontade explicar para alguém que não, aquele evento para servidores não vale uma sugestão de pauta para as TVs.

A Van Vasconcelos era perfeita para conversar com os insistentes. De fala mansa, olhos calmos e vestida de paz e amor, ela conseguia – quase sempre – desestimular ideias nada interessantes que apareciam dia sim e outro também na Secom. Isso sem contar texto, edição, narração e poesia. Aprendi demais com essas três santas.

Sabe um local que você pode contar com todos? A Secom era assim. A Eleni Caetano, sempre firme em suas ideias, não contava conversa para colaborar. Do mesmo jeito, a Mineia Capistrano e a Vanessa Farias – repórteres forjadas nas ruas de Porto Velho – estavam sempre dispostas a contar as melhores histórias. E a Marilza Rocha é o pau para toda obra. Da pauta ao texto e assuntos solidários. Até campanha para a Casa do Ancião ela inventou.

Nós éramos maioria.

Se a pauta era mais densa, com assuntos mais complexos, como previdência e impostos, podia contar com os conhecimentos do Cleuber Pereira, do Nonato Cruz, da Veronilda Lima e da Mara Paraguassu, que tempos depois tornou-se diretora-executiva da Secom.

A Vanessa Moura chegou um pouco depois e o dia que alguém comentou sobre eu estar certa a respeito da garota franzina, eu ri. Não me lembro de ter errado em relação a repórteres. Conheci a Vanessa na faculdade, a convidei para trabalhar no Diário da Amazônia e então tive certeza da jornalista que estava se formando. Dá-lhe, Vanessinha!

E o que falar do grande Montezuma Cruz? A história de Rondônia passa pelas reportagens do Monte publicadas no site do governo. Lembro de um dia que ele me contou que as matérias estavam sendo utilizadas em sala de aula. Eu gostava de repetir que a nossa missão era registrar a história atual do Estado e contar sobre a formação de Rondônia, até então, não havia nada nos registros. Eu mesma soube da atuação de personalidades políticas por meio das apurações do Montezuma. A Secom produzia material de alta qualidade que gerava pauta e publicações nos veículos regionais e assim a história estava sendo contada.

Foi por pouco tempo, mas consegui ter como parceiro o expoente da comunicação empresarial e do marketing porto-velhense, o singular Felipe Araújo. Também tive o prazer de trabalhar na Secom com ex-alunos, jovens brilhantes dos quais sinto muito orgulho e alegria pelas conquistas de cada um. Ananda Carvalho, Êrica Blanc e Maximus Vargas vocês são especiais demais. Prestem atenção que o futuro está com vocês.

Boas histórias precisam de imagens e nisso também a Secom brilhava. Daiane Mendonça, Admilson Knightz, Maicon Lemes, Frank Néri, Ésio Mendes, Bruno Corsino, Jeferson Mota e Alex Leite fizeram grandes galerias de fotos e vídeos. Até mini doc foi produzido.

Estou falando aqui somente da equipe da redação, claro que há tantos outros profissionais envolvidos. Os amigos publicitários parceiros dos eventos, Clênio Junior, Ricardo Tamboril, Andrey Matheus e Normando Lira também dividiam conosco aquela sala do 6º andar do Pakaas. A equipe de motoristas responsável pelo nosso transporte, as meninas da documentação (Andressa e Jarlana), o pessoal de apoio e ainda, claro, todo o administrativo e da sala secreta dos contratos.

Na Secom, o relacionamento e o aprendizado não eram apenas profissionais. Longe disso. Acredito que isso colaborou em grande parte para o sucesso do nosso trabalho. Até a atmosfera da redação era agradável. Devo a todas a essas pessoas muito do que sou hoje. Sou muito grata pelo acolhimento e pela parceria durante cinco anos que, para mim, serão inesquecíveis.

Meu coração se enche de alegria toda vez que lembro daqueles dias. E esse, em especial, foi realmente surpreendente

2 respostas para “Aquela Secom”

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