Ansiedade na vitrine

Ontem eu não quis descer para o café da manhã com o Zé Carlos. Preferi ficar no quarto e tomar café na cama. Estava me sentindo cansada. Cansada de não poder descer as escadas sozinhas como todas as manhãs anteriores à queda e entorse do meu pé direito. Desde então, o João Pedro me reboca escada abaixo e depois escada acima.

Não posso trabalhar, estou afastada por ordem médica. Não posso cozinhar, cuidar do jardim, fazer faxina e qualquer outra coisa que movimente corpo e mente e me leve para longe dos temas ‘pandemia’ e ‘INSS’. Devo ficar em repouso para me recuperar o mais breve possível. Certo. Então leio.

Estou com o livro ‘Relatos de um certo Oriente’, de Milton Hatoum, pela metade, o e-book ‘Brás Cubas’, de Machado de Assis, nos primeiros capítulos e no comecinho de ‘Escravidão’, de Laurentino Gomes. Esses são os que estão na vez. Tem outros tantos aguardando a chance de serem lidos por mim.

Nem sempre consigo manter o foco. Verdade seja dita, quase nunca. Mas ontem foi diferente. Concentrei minha atenção em uma única atividade. Passei toda a manhã entrando e saindo de inúmeras lojas online. Era como se eu estivesse batendo pernas nas lojas sem medo de vírus nenhum, apenas preocupada em fazer um bom negócio e levar para a casa o que procurava.

Foi quase um dia perdido no nada. A energia que dispensei em olhar detidamente cada página de blusa de tricô poderia ter sido empregada em algo útil. Eu simplesmente não me importei.

Hoje, após o café na cama – preferi permanecer no quarto, ponderei o por quê de tanto empenho para comprar umas peças de roupas. Só pode ser ansiedade! Mas isso eu já havia desconfiado após ter devorado uma pacotão de pipoca doce.

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