Exemplo que arrasta

Mais de 50 mil pessoas morreram de covid-19 até ontem (20). Cinquenta mil vidas se foram vítimas de um vírus que chamamos ‘novo’ mas que já está há muito tempo entre nós destroçando famílias. Muito tempo para tanta morte são quatro meses desde a primeira vítima no Brasil. Bebês, crianças, jovens e idosos de gêneros, idades e classes sociais distintas morreram nesse imenso País, que está há mais de um mês sem um ministro da Saúde.

Milhares de brasileiros morreram vítimas do novo coronavírus. Vírus que tem sua letalidade potencializada pelo descaso governamental que vê na pandemia uma histeria. O que uma “gripezinha” pode fazer com quem está acostumado, segundo o presidente, a nadar no esgoto? O que demonstra uma grande falta de conhecimento sobre os males que a falta de saneamento básico – de Norte a Sul – provocam nas populações mais vulneráveis do Brasil. E mais, trata como se fosse aceitável alguém mergulhar em águas pútridas.

Nós, brasileiros, estamos sem rumo seguro para fora dessa pandemia. Cinquenta mil pessoas é muito mais que a população de muitos municípios brasileiros, é como se Laguna, no Sul de Santa Catarina, tivesse desaparecido. Multiplica por três cada uma dessas vidas. Porque, você sabe, para cada morte outras vidas são afetadas. Parece que a única pessoa que não sente nada disso é o presidente da República, o brasileiro que representa a todos nós. Em nenhum momento ele foi solidário à dor de familiares, em nenhuma ocasião ele visitou um hospital, fez um pronunciamento. Tudo o que fez é ridicularizar o luto de milhares.

O presidente dá voz e incentiva os negacionistas como ele. Gente sem máscara na rua que acredita ser esse um direito inalienável – o de contrariar medidas sanitárias que protege desde o ignorante ao mais sensato cidadão. O presidente diz que o vírus é invenção da China, nada comprovado até hoje – e você ouve esse tipo de certeza no balcão da padaria. O presidente pede para que hospitais sejam invadidos e, claro, eles são assim como profissionais da saúde são hostilizados.

Agora imagina se o presidente da República, mesmo contra tudo o que ele acredita, agisse de outra forma? Fosse para as redes que o elegeram e para a TV e o rádio que ele usa para emitir ideias desconexas de sabotagem e perseguição pedir aos brasileiros que se mantenham em casa, os que podem, e que ao sair, quando houver necessidade, tome todas as precauções? E ao sair do Planalto ou do Alvorada ele próprio usasse máscara e mantivesse distância das demais pessoas, não as tocasse e nem tossisse como um bebê que desconhece a etiqueta?.

E daí? E daí que é pelo exemplo que se arrasta seguidores. Ele mesmo é um exemplo disso. Para o mal de mais de 50 mil brasileiros mortos pela covid-19 e por outros que devem perecer pelo vírus e pela inação do governo federal. Um exemplo de como não governar vidas é arrastá-las para a morte.

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