Alô, alô marciano

São cinco meses de mudanças na rotina e nos planos. Nesses dias teve períodos em que não consegui dormir direito, que comi demais, que assisti a séries como se não houvesse um amanhã cheio de compromissos com a vida. No meio disso, em junho, sofri um acidente e fiquei de cama por longas semanas.

Preocupada com a minha recuperação e com a lentidão do INSS para liberar auxílio-doença, não faltaram noites em claro pensando no “e se”. E se eu não conseguir andar como antes? E se o INSS não me conceder o auxílio? E se os ETs chegarem e eu não tiver como explicar toda essa confusão no Planeta?

Recebi parte do auxílio – o restante somente após a perícia, sabe-se lá quando. Meu pé está quase que zerado e os ETs não vieram. Algumas preocupações fazem sentido, outras não têm nem fundamento. Parece que existem apenas para nos colocar à prova a paciência e a humildade, que geralmente não temos. Eu pelo menos não tenho, se você já alcançou esse nível, parabéns!

Minha preocupação às segundas, terças e quintas é ir e voltar da fisioterapia sem ser contaminada pelo bendito corona. Tomo todos os cuidados, mas a principal medida de prevenção não posso seguir, porque preciso sair de casa para tratar o meu pé. Saio o mínimo possível. Toda saída, exceto essa da fisioterapia, é uma euforia. “Ah, que legal. Vou passear por todos os corredores do supermercado”. Chego lá e pareço uma foragida da polícia catando tudo, colocando no carrinho e saindo quase sem pagar para não enfrentar fila e gente despreocupada.

Já ouvi que a pandemia é tipo um cantinho do pensamento onde devemos refletir sobre nossas atitudes, estilo de vida, compromissos e o que for. Avaliar o que não vale mais apenas investir e jogar pela janela do passado. Eu tenho pensado que me ocupo com o que não importa tanto e negligencio o que merece atenção. Por exemplo, eu ainda não sei como conversar com um ET para pedir carona na nave dele.

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