Dores multiplicadas Brasil afora

Há dias que o desânimo bate como se não houvesse saída para nada. Às vezes ele se prolonga por semanas. É possível ser indiferente diante de tanta dor e incertezas? Eu acho que não. Afinal, não sou psicopata para ficar insensível a tudo o que está acontecendo no Brasil. Em uma semana dois amigos meus morreram vítimas da covid, em Porto Velho. Ontem, dois amigos do Zé Carlos faleceram. A dor que sentimos ouvindo/lendo notícias sobre o que acontece no país se multiplica dentro do peito quando é alguém que conhecíamos, por quem tínhamos afeição, respeito.

Quantos corações ainda serão partidos pela perda de alguém querido para essa doença terrível? Passamos de 251 mil mortos por coronavírus neste dia 26. Calculando a dor para cinco pessoas por cada vítima, são 1 milhão 255 mil brasileiros em luto. Mas é muito mais. O nosso círculo de amigos e parentes não se resume a cinco indivíduos.

Como é possível, nessa altura da pandemia, alguém ainda desdenhar da covid? Ninguém próximo de quem nega a doença e as únicas medidas conhecidas para evitá-la morreu ou quase?

Somos milhares e cada um está numa fase de sua própria evolução. O momento que vivemos deixa muito claro que estamos longe de sermos humanos fraternos. Todos. No entanto, alguns entre nós ainda se comporta como se vivesse no período das trevas. Não vai ser nessa existência que eles vão entender que vivemos em sociedade e para sobrevivermos precisamos ser coletivos. A minha atitude individual deve respeitar o todo e não apenas a minha parte.

Depende de cada um de nós, que já consegue ser solidário e o mínimo disciplinado, mostrar que é para frente que a humanidade caminha e que o atraso das sombras não vai acabar com o que temos construído. O mal é a minoria, parece o contrário porque ele faz muito barulho. E ultimamente tem feito muito estrago por estar em postos chaves da nossa sociedade. Como desconstruir isso? Eu não sei, mas estou pronta para ajudar. O que não posso é ficar em casa chorando e eles lá fora aglomerados rindo do meu bom-senso.

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