A história da casa

Há 10 anos nos mudamos para a rua Bandeirantes. Era o começo oficial de uma nova família. Estávamos morando juntos há alguns meses, mas de forma improvisada na kitnet do Zé Carlos. Dois adultos e uma criança. Nada parecido com o quarto apertado de décadas passadas, claro.

Foi uma verdadeira saga até, enfim, mudarmos para nossa casa. Para começar, foi difícil encontrá-la. Procuramos nos bairros que queríamos morar, e nada! Levamos cano de muito corretor, que marcava e não aparecia. Visitamos casas esquisitas e outras cheias de energia desagradável. Eu não aguentava mais tanta demora. Precisava entregar a minha ex-casa para o novo dono. Então não teve jeito. Fomos João Pedro e eu para o apêzinho do Zé Carlos.

Até que numa tarde recebo de uma colega de trabalho um classificado. Era ela! O telhado bonito, o pinheiro imponente. Vi tudo isso numa minúscula foto. No dia seguinte fomos conhecê-la. Zé Carlos muito a contragosto, porque a casa estava localizada fora da área delimitada por ele: Nada depois da avenida Guaporé! E a casa amarela ficava após a avenida Mamoré (isso dá algumas largas quadras).  Gostei de tudo! A cozinha imensa, o quintal com uma palmeira, um gramadinho.

Iniciamos o processo de compra e longos meses depois mudamos. Domingo, 14 de setembro de 2008. Eu abracei as paredes, beijei o ar, comemorei. João Pedro correu para a rua, havia meninos da idade dele. Era possível brincar. Todos felizes juntos. Reformamos a casa, fizemos um jardim de inverno, deixamos os outros jardins do nosso jeito. Cinco anos depois chega o novo morador, que transformou a vida de todos, Argus Maximus.

Na casa que passamos a viver e planejar nossas vidas, muitas alegrias, algumas doenças, mas muita união. Amigos queridos reunidos, família sempre presente, arraial no jardim, reuniões na cozinha.

Neste ano, por minha insistência, chegou mais uma moradora, a cadelinha mais doce da face da terra – Azula Dora Milaje. Assim como aconteceu com o Argus, Zé Carlos estava meio refratário, mas durou pouco. João Pedro meio enciumado (pelo Argus) tentou ignorar a Azulinha, sem sucesso. Todos juntos em meio a pelos e marcas de patas nas roupas.

Dez anos depois estamos nos mudando. A casa, hoje azul, ficará cheia de energia do amor que emana uma família em um lar.

Vamos para uma nova casa, numa nova cidade, decorar do nosso jeito, encher de plantas e de planos, continuar a vida e construirmos mais uma década juntos.

No aguardo

Minha casa está à venda há dois meses, nesse período muitas pessoas entraram em contato, algumas visitaram o imóvel, outras marcaram e não apareceram.

Eu apenas sorrio e aceno, pacientemente, aguardando o novo proprietário chegar.