É preciso carregar?

Casamento, namoro, trabalho, amizade – seja o que for – tem gente reclamando. Alguns acreditam serem a cruz que devem carregar, que devem levá-la até o Gólgota, ou sabe-se lá para onde, e insistem. Continuam nas lamentações sem nada fazer para mudar a situação. Têm as mesmas atitudes esperando resultado diferente. Mas acho que sabem que não terão. Apenas não querem enxergar. Talvez seja um apego ou medo do depois. Ou os dois.

Medo útil

Ir para o banho* sempre foi um acontecimento. Quando meu pai avisava que domingo iríamos para o Periquitos – oh, quanta expectativa! “Vamos dormir para amanhecer logo” – dizíamos.

Descer de boia no rio, correr pela beirada, subir o barranco, saltar na água. Que delícia de vida. Minha relação com rios, igarapés e seus parentes é de encanto, sou atraída por eles, mas até certo ponto. Meu sonho é vencê-los a nado. Aqui uma pausa para muitos risos.  Não sei nadar!

Há algumas décadas quase desapareço em um açude numa pequena cidade de Mato Grosso. A cena inesquecível lembra filme de terror. Eu me debatendo na água via as pessoas conversando na margem, ouvia suas risadas e ninguém percebia o que estava acontecendo comigo. Depois que voltei para casa me inscrevi num curso de natação. Tinha mais criança do que água na piscina, não desisti. Pelo menos aprendi a mergulhar sem precisar apertar o nariz com a mão.

Balneário Taboca em Porto Velho

Esse medo é útil. Força-me a ser cautelosa, no entanto, não me impede de entrar na água, de me cobrir de paz e de me sentir em harmonia comigo mesma.

*Balneário, em portovelhês