Currículo fake

Na entrevista de emprego:

– Como foi sua experiência na CNN?, questiona o executivo da vaga.

– Onde? Não entendi a pergunta.

– Na CNN onde você foi repórter. Está aqui no seu currículo.

– Ah, a CNN! Pois é, eu não fui selecionada.

– Mas está aqui no seu currículo!, rebate, quase gritando o meu ex-quase- futuro-chefe.

– Eu coloquei porque tinha a intenção de trabalhar lá…

E assim termina a história: eu sem emprego e queimada no mercado de trabalho.

Mas para o governador do Rio de Janeiro a história não acaba agora.  Wilson Witzel incluiu Harvard no Currículo Lattes sem nunca ter estudado na instituição norte-americana. Depois do descuido ter sido descoberto e publicado, o governador, claro, disse que a notícia é mentirosa e pôs, adivinha?, culpa na imprensa.

Witzel continuará governador e logo a história sobre essa fraude será esquecida e substituída por outra até o final do mandato.

E eu continuarei sem a CNN no currículo e com a consciência tranquila.

Somos nós no retrato

A poucos dias das eleições sobram dúvidas e faltam convicções de que o Brasil avançará rumo ao futuro que, há anos, ouço dizer que é dele.

As discussões em torno das candidaturas que se apresentam para governar o País nos próximos quatro anos saíram do círculo do respeito e educação  e entraram nas rodas de embates violentos e desrespeitosos. De todos os lados há desentendimento. Não importa a bandeira partidária, o diálogo inteligente e fraterno foi deixado de lado.

Se o eleitor opta por um candidato, é porque é a favor da volta da ditadura (Deus nos livre!), se opta por aquele outro é porque concorda com a corrupção (Xô!). Ninguém ouve ninguém. Cada qual na sua bolha lendo, ouvindo e assistindo somente o que exalta e torna viável o seu candidato.

Dou um passo para trás, saio da cena e vejo o caos. Respiro fundo e busco me concentrar numa resposta para o que me incomoda: o que devo fazer, como devo proceder diante de tudo o que está acontecendo no maior evento de democracia do meu país?

“Acalma-te. Todas as pessoas têm direito e liberdade para votar em quem quiser. Não entre em debate estéril. Colabora com o silêncio ou com a palavra apaziguadora. Independente do resultado das urnas ela representará exatamente a atual sociedade brasileira. Aceita e trabalha para dias melhores.” – foi o que eu ouvi da minha consciência.