Severino quer mudar

Tenho uma família relativamente grande, se considerar tios e primos com os quais não tenho ou nunca tive contato algum. Mas se contar apenas os próximos é bem pequena, mãe, irmãos e sobrinhos – e agora minha tia, que está bem próxima. Mudei-me para Santa Catarina e ela mora ali, na Ilha, e eu aqui, no Continente. Coisas da vida.

Nessa madrugada sonhei com o pai dela, meu avô, também pai do meu pai. É o único avô que conheci, seo José Severino Duarte. Como dizia papai, “sorte sua não ser ‘Severina'”, ele Alcides Severino da Silva. Severino, vô? Poderia ter batizado papai de Duarte. Já pensei nisso:  Marcela Ximenes Duarte e não ‘da Silva’. Mas, hoje, estou bem com o sobrenome do meu pai – tanto que o mantive ao casar e adotar o Sá do Zé Carlos.

No sonho vovô sorria, do jeito que eu o conheci quando estivemos todos em Campo Grande no início dos anos 80. Não era uma viagem de férias, estávamos lá para consultas médicas, mas era como se fosse, afinal, éramos crianças conhecendo a família do papai.

Meu avô era mineiro, meu pai também. Não sei a história, o porque de a família ter se mudado para Mato Grosso e depois Mato Grosso do Sul. Meu pai serviu ao Exército em Cuiabá. Depois foi para o Amazonas e por fim, Rondônia, onde continuou trabalhando nas Forças Armadas por um tempo até conhecer minha mãe, casarem, ele sofrer um acidente e ser dispensado.

Vovô e papai, no sonho, tratavam de mudança. Queriam ir para outra terra e eu não lembro qual. Pará, Rio Grande do Sul, Ceará? Não importa. Os dois homens planejavam viajar em breve. Desse sonho, ficou na minha lembrança nitidamente a voz do papai e o sorriso do vovô. Sem dúvida, um jeito alegre de começar o dia, a semana, o mês, de recomeçar. Obrigada pela visita, meus queridos.

O vento da faxina

Minha vó dizia que quando retiramos a poeira, limpamos  e organizamos a casa, o vento entra pela porta. Lembro-me da vovó dizendo isso um dia quando eu terminei de varrer a cozinha da casa dela, em Campo Grande, há mais de 30 anos.

Todas as vezes que faço faxina em casa, daquelas cheia de energia e vontade de ter a casa limpa e agradável, como fiz hoje, espero o vento entrar. Ele sempre chega de mansinho espalhando o cheiro de limpeza e a sensação de conforto. Isso me faz tão bem.

Tenho experimentado o vento da limpeza também dentro de mim. Uns hábitos pouco saudáveis que se foram deram uma aliviada na confusão que estava o meu corpo. Algumas atitudes menos felizes das quais me desfaço aos poucos já me fazem sentir que o ventinho da faxina se aproxima.

É um trabalho diário e vagaroso ir retirando as poerinhas de cada prateleira do me ser. Muitas bem incrustadas e relutantes em deixar os cantos onde estão há tempos. Eu tenho tentado um produto que desfaz a resistência dessas poeiras, ele não e fácil de ser aplicado, mas é o melhor: paciência.

Eu quero uma brisa infinita na minha alma e para isso não posso me demorar nas fuligens da reclamação e do conformismo.