O nome estava comigo há quase um ano. Anotado, salvo, arquivado. E pulsante, querendo vida além da que eu o oferecia na minha memória que nunca esquecia dele. Era pouco para tanta beleza guardada no bloco de notas.
Eu nem desconfiava que naquela segunda-feira ele, o nome, iria deixar de ser um desejo. Que clichê! Logo no tal dia dos começos, e bem cedinho para rimar com aquele outro, o do madrugador. Leia mais
“Olha, Lola, Zula, Tena! Olha lá vocês! Vocês estão na posse!” – foi mais ou menos isso que falei para a Aurora, Azula e Atena quando vi, pela TV, a cadelinha Resistência pronta para subir a rampa do Palácio do Planalto com o presidente Lula e o vice Alckmin. Eu nem sabia como segurar tanta emoção dentro do peito. Não era apenas um animal doméstico sem raça e de pelagem preta (que são os mais rejeitados) num espaço de poder. A doguinha estava ali representando a todos os milhares de cães e gatos que estão vagando sem casa e sem amparo por aí. Leia mais
Aurora chegou no dia 18/7 muito magra e assustada. Ao contrário da Atena, resgatada em jan/20, em poucos dias Aurora já estava se sentindo segura. Tão segura, que já roeu cadeira, mesa da TV, derrubou vasos e ofereceu mil sorrisos cheio de festa. Pois é, ela sorri 😊 É uma cadelinha alegre que só precisava de alguém para cuidar dela. Há centenas de milhares de cachorrinho (e gatinho) à espera de uma chance para ser, de fato, um bichinho doméstico.Leia mais
Quando estivemos pela primeira vez na casa onde hoje moramos, fomos recebido por um sorridente cachorrinho caramelo. Nos seguiu pela rua e depois pelo quintal da casa. Ganhou carinho e nossa simpatia. Os olhos dele falavam mais sobre o lugar do que o corretor imobiliário que nos acompanhava.
Dias depois soubemos que o vira lata atendia por Pequeno, tinha casa, comida e caminha, mas gostava mesmo era de perambular pelas ruas do bairro, dar conta do que passava pela vizinhança. Argus e Azula fizeram festa para ele logo que se conheceram. Achava curioso como todos os cães faziam amizade com o Pequeno. Inclusive, conheci a Atena por meio dele, que a levou para casa e então eu a pude ver da sacada. Era o camarada de todos. Com exceção, claro, dos motociclistas. Não negava a raça.Leia mais
Desde julho passado, quando comecei no Jornal Notícias do Dia, faço teletrabalho. A apuração é feita por telefone, aplicativo e e-mail. Claro que em muitas pautas preciso sair e então vou e volto de Uber. Tenho minha própria redação, mas cumpro as cinco horas contratuais, que são registradas no aplicativo da empresa. O contato com a redação – localizada no Morro da Cruz, em Florianópolis – é, basicamente, pelo WhatsApp.
Os primeiros três meses foram de adaptação ao home office. Muito barulho, entra e sai, distrações, cães latindo e por aí vai. Agora os demais ocupantes da casa entenderam como funciona, que eu estou trabalhando e preciso estar concentrada. Os cães nem sempre conseguem resistir ao caminhão da coleta de lixo ou a um colega cachorro que passa na rua, por isso, sempre antes de começar uma entrevista por telefone deixo eles presos.
Também aprendi a parar de verdade para fazer o intervalo de 15 minutos. Aproveito para passar um café e dar atenção aos carentes Argus, Azula e Atena.
Eu moro e trabalho no mesmo lugar, sendo que faço dupla jornada – sou dona de casa e jornalista, portanto, respeitar horários é fundamental. Meu tempo máximo na cozinha é até as 13h para que eu possa começar meu turno jornalístico às 14h.
Nesses dias de quarentena, quanto ao home office, para mim está tudo certo, pois esse é meu modo de trabalho há nove meses. Não precisei comprar álcool em gel para minha bancada porque há água e sabão por perto.
Ao abrir as cortinas do quarto na manhã de sexta-feira (17) vi na calçada do vizinho um cachorro desconhecido. Corri para saber quem era e logo percebi que ele estava com uma patinha machucada. Fui conversar com ele, que fugiu mancando. Após muita insistência voltou desconfiado e então soube que era ela. Dei ração, água, atenção e recebi muitos sorrisos.Leia mais
Petit Gateau iria hoje ao petshop para um dia de beleza e saúde. Tosar a cabeleireira, tomar vacinas, ficar saudável e lindo. Nas duas últimas semanas ele tem sido um menino teimoso, recusa a presença de humanos e foge como se estivesse diante do próprio coisa ruim. E talvez estivesse mesmo. A espécie que é a racional da Criação e que descarta um ser vivo indefeso como se lixo fosse realmente não merece consideração.
Como o peludinho saberia que eu queria apenas salvá-lo das intempéries da vida? Que se aceitasse meu convite estaria em uma casa junto com dois outros iguais, Argus e Azula? Dia após dia eu tentava conquistá-lo mas ele não me dava ouvidos. Corria feito o Papa-Léguas do Coiote.
Não houve tempo. O atropelamento tirou do bichinho a chance de uma vida feliz. Petit Gateau partiu sem nem mesmo ouvir seu novo nome. Não pode ouvir a minha promessa de que teria uma vida segura, como seus novos irmãos Argus e Azula e de que nunca mais seria abandonado à infeliz sorte.
Numa manhã ensolarada de outono eu senti a dor da impotência diante do destino. Eu tentei mudá-lo, mas fracassei.
Azula Dora Milaje, uma princesa com todas as raças <3Argus Maximus, Dachshund ciumento e amoroso
Nossa maior preocupação para a viagem de mudança era o Argus Maximus e a Azula Dora Milaje, nossos cãezinhos. Como eles reagiriam a 5 dias dentro de um carro sem passar mal, enjoar e nos incomodar, claro, com choro e birras? Pesquisamos sobre viagem de carro com cachorro e a maioria das experiências era de curta duração, nada perto das 120 horas que encararíamos.
Consultamos o veterinário deles, dr Pedro, que nos tranquilizou, receitou o remedinho abençoado (Acepran), atualizou o cartão de vacinação, deu os atestados para viagem e orientou para que fizéssemos paradas a cada 3h, se possível, de acordo com o comportamento deles. Pronto.
Inicialmente, cheguei a cogitar vir apenas com o Argus e Azula seguir de avião com o João Pedro. Ela é tranquila e o Argus é meio aperreado e muito apegado a nós. Mas não tive coragem. Pensei na possibilidade de ela passar mal, se soltar, morrer. Conversei com Zé Carlos e João Pedro e eles concordaram em virmos todos juntos no carro, 3.450 quilômetros de estrada. Esse número eu repito sempre. Tente falar em voz alta e você sentirá a força dos 3.450 km rs.
Argus nunca gostou de passear de carro. Nunca mesmo. Tem 5 anos e não se acostuma. Sempre que vê a nossa movimentação em preparar o carro para um passeio, fica agitado, aparentemente ansioso e, geralmente, pula para o banco traseiro e fica lá com carinha feliz (pelo menos é o que parece). Mas é só sairmos da garagem de casa que começa a gritaria, uivos, choro. Um escândalo até o pet shop. Na volta sempre volta tranquilo. Não entendo esse comportamento antagônico.
Azula, que dia 22/2 completará 1 ano, sempre fica tranquila no carro. Nos primeiros passeios à clínica veterinária babava muito, dr Pedro explicou que ela enjoava. Com o passar do tempo isso acabou, mas ela continua uma miss em comportamento.
No terceiro dia de viagem estavam mais amigos
Demos a dose de Acepran recomendada pelo veterinário e tudo seguiu bem. Saímos num domingo chuvoso de Porto Velho e em poucos quilômetros eles estavam dormindo. No carro estavam com peitoral preso ao cinto de segurança. Nada de caixas ou caminha. Forramos o banco do carro com mantas para que se sentissem confortáveis e seguros. Argus foi ao lado do João Pedro porque sente ciúmes da Azula.
A primeira parada foi em 100 quilômetros, no município de Itapuã do Oeste, para o café da manhã. Essa experiência não foi nada legal, pois a chuva continuava, mas nada que atrapalhasse. Não quiseram beber água e nem comer, acho que estavam meio sem entender o que estava acontecendo. Segue o baile.
Nosso pernoite naquele domingo, 30/12, foi em Vilhena. Ficamos no Hotel Colorado. Nessa acomodação eles podiam andar pelos corredores, sem necessidade de serem carregados no colo. Tudo tranquilo. Levamos as caminhas dele, bebedouros e preparamos um banheiro com jornais. Sonho de anjinhos até às 5h30, quando levantávamos e íamos passear com eles. Para comermos, um de nós ficava com eles enquanto 2 comiam, ou ao contrário.
Primeira noite da viagem. Dormiram tranquilos em suas caminhas
Nossas paradas não foram de 2 ou 3 horas. Era inviável isso e vimos também que não era necessário. Inviável porque não tinha onde parar e quando havia um bom acostamento, estava chovendo. Mas sempre que parávamos, o João Pedro caminhava e corria com eles. Até levou para passear num pasto, onde a Azula quis encarar uma vaquinha rs.
Quanto ao remédio, demos as gotinhas para a Azula nos 2 primeiros dias. Percebemos que não era necessário, pois ela ficava quieta, dormia a maior parte do tempo. O tempo máximo que o Argus ficou sem o remédio foi 2h. Como disse, ele não gosta de carro.
Importante passear com os dogs em paradas programadas
Todos os hotéis foram reservados. Pesquisei na Booking os que aceitavam pets. Como as hospedagens eram na estrada foi mais fácil. Os hotéis foram em Vilhena, Hotel Colorado; Várzea Grande, Marion Pantanal Hotel; Londrina, London Hotel; Joinville, Alpinus Hotel. Nesses dois últimos, eles deviam ser carregados no colo, mas isso não é demérito para as acomodações. Ainda bem que elas estavam na nossa rota!
Em Florianópolis ficamos hospedados na Casa do Sossego, em Cacupé, e ó, nota 10! Os dogs puderam correr, brincar, rolar na grama sem medo de serem enxotados. Muito boa a hospedagem para cachorrinhos e humanos.
Se você pretende viajar com seus dogs, vá sem medo. Apenas se organize, você conhece seus bichinhos, sabem como podem reagir, então esteja preparado. Importante dar água sempre, mesmo quando eles rejeitarem, insista – precisei fazer isso com Azula, a mais resistente. Leve brinquedos, mantas, objetos que eles gostam para que se sintam seguros. Quando parar, passei com eles, faça carinho, converse rs peça paciência porque “está quase chegando”. Ah, importante forrar bem o banco do carro. Acho que daqui a 10 anos ainda encontrarão pelos dessa viagem dentro do Sandero. E quem liga, né? Tudo valeu a pena e é o que importa.
Deixe o banco bem confortável para que se sintam seguros e à vontade no espaço