Uma queda me fez pensar na fragilidade da vida, que num instante está cheia de certezas para em seguida se perder no vazio de dúvidas. Num momento estava conversando sobre a preservação da Mata Atlântica e no outro estava caída com o pé direito virado para trás. Ao descer uma escada na casa de uma entrevistada pisei num degrau solto. Essa mesma escada havíamos subido e descido algumas vezes naquela tarde de quarta-feira quando produzíamos a reportagem sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente.
Um 1º de maio histórico
A partir desse 1º de maio, minha jornada de trabalho e meu salário foram reduzidos em 25%. A situação não está fácil, mas há colegas de profissão desempregados e outros que tiveram maior perda salarial.
O navio é um só e estamos todos nele. Alguns mais à proa e a maioria agarrada à popa. Se a remada continuar desigual, o naufrágio é mais à frente. Sem um comandante que conduza a embarcação, parece que teremos que enfrentar a grande tormenta que se aproxima.
Esse talvez não seja o caso de um bote salva-vidas. Talvez um motim.
O menino da foto
Antes de desligar o celular para ir dormir, conferi uma mensagem enviada por minha irmã número 2, a Aerllen. Era uma foto do João Pedro com três anos de idade. Foi como se eu tivesse sido empurrada para uma espiral que abriu uma porta cheia de lembranças sensoriais.
Renascer
Todo dia podemos florescer ou secar.
A escolha sempre será nossa.

Meteoro para quê?
A corrupção e a violência são, geralmente, os motores geradores desse tipo de comentário que às vezes pede um meteoro como solução para a humanidade “que falhou miseravelmente”. Quem comenta não é um cachorro ou uma girafa, mas uma individuo da espécie humana. Como essa pessoa se encaixa nessa sociedade tão cheia de erros? É uma dúvida que tenho.
As falhas morais e éticas estão estampadas nas diversas camadas da sociedade humana. Elas não são poucas, mas já foram bem maiores. Há 500, 200 anos havia mais corruptos e violentos do que hoje e, mesmo assim, seguimos acertando e errando e aqui estamos nós no meio de uma pandemia.
Desculpem o clichê, mas agora é inevitável: A humanidade somos todos nós que estamos agora no planeta que depende de cada humano para continuar a marcha do progresso. E que fique bem claro, estou falando de evolução moral, pois a intelectual vai muito bem.
As observações sobre os passos supostamente sombrios da humanidade podem ser trocadas por atitudes que possam alterar o caminho para um mundo melhor. Cada um deve fazer a sua parte. Claro, se isso for realmente o que os pessimistas desejam.
Máscaras que caem
Em um momento ou em outro de nossas vidas já vestimos duas ou 10 máscaras para encarar alguma situação ou até a nós mesmos. Quem nunca respondeu a um cumprimento com um sorriso bem agradável e palavras gentis quando tudo o que queria era reagir de forma contrária não entenderá o que estou dizendo e, provavelmente, não seja nem deste mundo.
A realidade é que as máscaras estão aí. Uns usam menos outros exageram.
E o fato que a pandemia de Covid-19 tem revelado é que as máscaras não vão se sustentar em meio a essa crise que se instalou no planeta.
Os egoístas não conseguem mais disfarçar o quanto se importam apenas com si e ninguém mais. Os tiranos não estão dando conta de segurar a crueldade e vão rasgar o véu, com que ainda tentavam esconder alguma sobriedade, para se apoderar de máscaras alheias, inclusive. Os inaptos, coitados, esses estão sendo expostos pateticamente em rede nacional.
Só não vê quem ainda prefere manter os olhos vendados. Em meio a uma tormenta não é um bom negócio ser cego. Há o risco de ser conduzido por outro sem visão e o caminho ao precipício pode ser inevitável.
Eu, ex-sedentária
Anos antes dessa experiência volística, vivi bons momentos em quadra na Escola Castelo Branco. Jogava handebol e gostava, contava os dias para as aulas de educação física. Eu tinha 11 anos e todo aquele tamanho, por isso me chamaram. Mas dessa vez o professor não perdeu tempo.
Tempo quem perdeu foi eu por não ter praticado esporte na juventude e nem na vida adulta. Foram várias tentativas e abandonos de academias, aulas de luta, natação e hidroginástica.
Foi lá pelos final dos 30, quase na chegada dos 40 que eu descobri o que me satisfaz e me faz bem. Mas só cheguei até ele pelas dores. Dor nas costas, nas pernas, na alma. Acúmulo de trabalho que não tem corpo sedentário que suporte.
O pilates salvou minha vida. Eu sou uma devota de Joseph Pilates. Ele lá no céu e eu aqui no solo com todas as professoras maravilhosas que tive até agora, com destaque mais do que especial para minha maior incentivadora e modelo, a querida Neiry.

A coisa é tão séria que eu (quem diria!) faço exercícios em casa. Nesses dias de quarentena a Bruna, a querida fisioterapeuta que nos atende (Zé Carlos também é um fiel rs), preparou aulas para quem não aguenta ficar sem atividade.
Eu gosto de me exercitar, queria fazer mais – quem sabe ainda faça?! Há menos de 15 anos eu jamais imaginaria que a Marcela de hoje, aos 47, estaria louca para correr, levantar pesos, fazer abdominais, subir montanhas e até remar.
A vida é dinâmica e é preciso avançar. Às vezes o que nos falta é um empurrãozinho, pena que, quase sempre, é a dona dor quem nos move. Um viva para a dor no ciático, sem ela eu não teria chegado ao primeiro estúdio de pilates.
O macacão da reflexão
Hoje, ao abrir o armário para pegar uma camiseta, me deparei com ele, o macacão que eu comprei “porque sim” há um mês e nunca usei.
As camisetas novas do João Pedro não foram inauguradas. Não deu tempo de usar todas no curso, nos únicos seis dias de aula. A quarentena se estabeleceu e tudo mudou.
Um macacão no fundo do armário, um curso sem aulas, camisetas nas gavetas. O que é isso diante de tudo o que vem ocorrendo nas últimas semanas no Brasil? Isso mesmo! Não é nada!
É uma pequena reflexão sobre a nossa quase que total falta de controle sobre a vida. Digo quase porque podemos controlar algumas coisas sim! Podemos escolher ser pacientes e gentis, generosos e bem humorados. Podemos nos calar diante da vontade de criticar, podemos ser pessoas melhores.
Nossa, mais que clichê, hein?
E não é? O que estamos vivendo hoje no planeta é um lugar comum daquelas palestras de coaching 0800. “Perceba o que o universo quer de você, qual recado está enviando nesse momento?”
E vamos ouvir esse grande coaching que é o coronavírus: volte para casa, repense seus hábitos, reveja conceitos, recrie rotinas e perceba o que realmente tem valor.
No dia que eu aprender essa lição e poder sair de casa, vou de macacão novo.
Vida sem egoísmo
A do idoso que vive com a saúde debilitada, a da criança que corre cheia de energia, a do garoto que disputa a atenção dos colegas, a do adulto que se divide entre a preocupação com a saúde e a manutenção financeira.
Não importa se negro, branco, feio ou belo. Estar vivo importa. Toda vida tem seu valor. Seja a do sacerdote que aconselha paciência para as horas de angústia, seja a do incauto que avança sobre o direito do outro.
Moradias simples, casas confortáveis, apartamentos luxuosos ou o banco da praça abrigam vidas em metrópoles ou no interior. Aqui ou na Europa, na Ásia ou na África. Não importa onde. Seja onde for toda vida vale.
O doente tem o direito (e o dever!) de querer a saúde assim como o são tem quase uma obrigação de se manter saudável. Relativizar mortes de acordo com idade e classe econômica tem tom de psicopatia no momento em que se pensa apenas em si em detrimento do outro.
Vivemos na matéria e precisamos nos manter vivos, mas que isso não represente a morte da solidariedade. Pela humanidade, devemos cuidar da vida de todos nós.
Pais ou servos?
E situações assim se repetem no transporte, seja no avião durante a viagem de férias ou o ônibus escolar, no supermercado (eu queeeero!!) e por onde quer que eles estejam. Eles, os pais sem autoridade e os filhos “dominadores”.
As crianças se aproveitam da permissividade dos pais para agir como bem entendem e assim satisfazer suas vontades, que podem ser apenas mostrar quem manda.
Para esses pais, a criança é alguém com gênio forte, cheio de personalidade. Para os filhos deles, o pai e a mãe são seus realizadores de vontades.
No final de semana presenciei um menino de uns cinco anos fazer os avós de bestas indo de um canto a outro do restaurante escolher a mesa. Isso me fez lembrar de quando meu filho, então bem pequeno, após uma ordem minha (isso mesmo, ordem), perguntou entre os dentes:
– Quando vou mandar na senhora?
– Nunca, porque sou sua mãe e isso nunca vai mudar nessa vida.
Não é por acaso que somos pais. Estivemos na posição de filhos crianças e adolescentes e tivemos bons pais – e não amigos – para sermos educados. Que tal repetir a fórmula com os que estão sob nossa tutela?
Ah, sim. É claro que em alguns casos é preciso algumas adaptações e correções no roteiro. O tempo da vara de goiabeira ficou no passado e deve morrer por lá.
