Não sou lá de cima

Eu tinha uns 16 anos e procurava emprego com uma amiga, de 18. Naquela manhã a acompanhei até um comércio que existia na rua Brasília, em Porto Velho. O nome do lugar nunca esqueci, Paulista. Um homem branco, alto e estúpido falou, aos gritos, com a minha amiga que não contratava gente da cidade, porque eram pessoas preguiçosas e faltavam ao trabalho em dia de chuva. Leia mais

Minha amiga Golby

Não lembro quando Golby e eu nos conhecemos. A única certeza que tenho é onde. O Twitter nos aproximou na época que a rede do passarinho azul ainda era amigável, acho que há uns 12 anos. Golby, assim como eu, é porto-velhense, mas mora em Rio Branco há décadas. Por motivos que não lembramos, nunca nos encontramos pessoalmente, mesmo morando a apenas 500 quilômetros de distância. Leia mais

Joaquim chegou!

Os dias que antecederam a chegada do Joaquim foram de ansiedade e insônia. De longe, graças à internet, acompanhei tudo quanto foi possível. Afinal, eu dependia de uma avó nervosa em sua primeira experiência para receber os informes sobre a mãezinha Kaká e o bebê.

A notícia mais esperada veio às 9h30. Eu estava tomando café. Conferi o WhatsApp e dei um grito (talvez dois ou três) e desatei a chorar. E a cada foto da Kaká com o Joaquim nos braços a emoção dobrava. A expressão de alegria/contentamento/gratidão da nova mãezinha era tocante. Leia mais

As multicores do Mercado Central

Em todas as nossas viagens – sejam no Brasil ou exterior – os mercados sempre estão no nosso roteiro. É neles que podemos conhecer um pouco melhor sobre a cidade que estamos visitando e os hábitos/costumes de seus habitantes. Em São José, onde moramos, não há um mercado público. O espaço de venda e consumo de itens regionais está localizado no Centro Histórico de Florianópolis. Sempre que vou ao Centro tento passar pelo mercado e a busca é sempre a mesma: pimenta de cheiro. Foi lá que encontrei uma vez e comprei a última bandeja com algumas pimentinhas. Leia mais

Recortes de reencontros

Os dias em Porto Velho passaram ligeiros como a friagem de junho em Rondônia – rapidinho e quase nem dá para aproveitar o clima gostoso sem o calor sufocante. Mesmo assim, foram ótimos. Reencontramos muitos amigos e revimos a família. Todos queriam saber como é morar longe de todos os bem-amados, como é o frio, as pessoas do Sul do país, a comida e a saudade. Leia mais

Uma cartinha e um mundo

Pensando em oferecer algo regional que ela sabe o quanto eu gosto, a Elaine preparou um surpreendente bolo de tucumã – que nem eu nem Zecarlos conhecíamos. Sabor delicado e marcante, como a boleira. O afeto estava ali naquela sala. Mas havia mais. A Eluane e a Eline (que nasceu quando já havíamos nos mudado) fizeram muita festa para nós. Surpresa pela recepção, perguntei à Eluane se ela ainda lembrava mesmo de mim. A resposta positiva veio seguida de um envelope. Aí eu já nem tinha mais pernas para me sustentar. No envelope, as letrinhas ainda inseguras diziam: “Café datardi cua Marsela”. Leia mais

É farinha, moço

Se num quiz alguém perguntar o que um nortista traz na mala após uma viagem à terrinha, pode responder sem medo de errar: farinha! Foi o que eu trouxe na bagagem em setembro, quando estivemos em Porto Velho. Foi a nossa primeira viagem após a mudança, em dezembro de 2018.

Minha irmã Kárita fez a feira para mim, providenciou farinha seca e farinha de tapioca. Eu complementei com feijão de praia, charque e pimenta de cheiro. Até pensei em trazer goma para fazer tapioca, mas desisti com receio de ter a mala revirada no raio-x do aeroporto. Leia mais

Os meus sabores de Porto Velho

Porto Velho entrou para a lista de cidades visitadas por mim e pelo Zécarlos e para a hashtag #viagensmarcelaezecarlos no instagram. Como turistas, passeamos pelas ruas já conhecidas, fomos a quase todos os restaurantes (outrora) preferidos, conferimos os pontos turísticos e outros nem tanto. 

Da listinha que fiz de lugares que queria rever, o icônico pôr do sol na beira do rio Madeira ficou de fora. Pensa no toró! Nos dias em que não houve chuvarada, estávamos do outro lado da cidade, o que não nos impediu de apreciar aquele ceuzão alaranjado de fim de tarde. Um espetáculo! Leia mais

O portovelhês nosso de cada dia

Porto Velho completou ontem (2), 106 anos de fundação e hoje ao acordar meu segundo pensamento foi: queria tomar café lá no Mercado Central. Iria pedir mingau de banana com tapioca e uma tapioca com manteiga e castanha. Café para acompanhar. Taí uma saudade.

Uma coisa levou à outra e eu me lembrei de um texto que fiz para um caderno especial do Diário da Amazônia em homenagem ao aniversário de Porto Velho. Isso foi em 2007. Treze anos correram desde então. E esse texto foi o que me aproximou do Zé Carlos, o homem do Banzeiros – ou teria sido o contrário? Bom, isso é outra história. Leia mais

A mudança e a ponte

No dia 30 de dezembro de 2018 saímos de Porto Velho rumo à São José. Não tínhamos casa, o plano era chegar, visitar imóveis previamente selecionados, escolher e então nos mudarmos. Tudo isso em uma semana. Os primeiros dias não foram fáceis, apesar da vista. Mas como sempre acontece, as coisas se ajeitaram.

Um ano após o início da mudança de cidade estávamos, Zé Carlos e eu, comemorando a volta da Ponte Hercílio Luz. Aquela beleza de estrutura pela qual somos apaixonados. Uma ponte que para nós, assim como para outras pessoas, é o carimbo mais querido no passaporte das férias.

Essa ponte representa um desejo que nasceu em janeiro de 2012 quando do nosso primeiro encontro nessa vida com Florianópolis. Quase oito anos depois, lá estávamos nós e umas 50 mil pessoas festejando a reinauguração do ícone.

A volta da ponte é uma significativa comemoração a esse primeiro ano de nossa corajosa resolução de termos saído do cômodo para o desconhecido.

Nós na Ponte Hercílio Luz