Um passeio pode nos fazer relembrar poesia e perceber que há beleza em nossa volta. Mas é preciso estar de alma leve. Foi assim que percebi os capins do caminho para a serra, em São Joaquim (SC). Havia uma variedade deles, brancos, dourados, roxos. Junto a eles, muitas florzinhas com diversidade de cores. Colhi alguns, plantei os enraizados e com os demais fiz um arranjo.
Mudei de estado e de vocabulário
Pernilongo, muriçoca, carapanã, mosquito. Como você chama esse bichinho azucrinante? Antes que você responda: “eu não chamo, ele vem sozinho”, vou tentar “adivinhar”. Se você mora no sul, sudeste e centro-oeste do país, possivelmente, esse insetinho seja o pernilongo. Caso more no nordeste, o dito cujo é batizado de muriçoca. No entanto, quem mora na região Amazônica, no norte do Brasil, o bicho é chamado de carapanã.
Currículo fake
Na entrevista de emprego:
– Como foi sua experiência na CNN?, questiona o executivo da vaga.
– Onde? Não entendi a pergunta.
– Na CNN onde você foi repórter. Está aqui no seu currículo.
– Ah, a CNN! Pois é, eu não fui selecionada.
– Mas está aqui no seu currículo!, rebate, quase gritando o meu ex-quase- futuro-chefe.
Três minutos
O tempo, já sabemos, é relativo. Por causa de três minutos eu fui descartada. Três minutos. Eu não estava em frente ao notebook para responder imediatamente a uma mensagem, havia ido ao portão atender alguém que chamava. Quando voltei à mesa, vi a mensagem e respondi. Silêncio. Momentos depois insisti e nada.
A minha frase de mãe
“Me chamou, mãe?”, pergunta João Pedro após meia hora do meu chamado. “Você está com delay? Se fosse vida ou morte, eu já estaria morta”. A resposta foi automática. Eu que sempre critiquei (em pensamento) os exageros da minha mãe estava ali reproduzindo uma versão do clássico “quando eu morrer vocês vão chorar”.
Eles não foram com a minha cara
Fui à Unidade Básica de Saúde do bairro para me cadastrar e marcar consulta com um clínico geral. O primeiro atendente exigiu certidão de casamento para provar que eu moro no endereço apresentado. Voltei em casa e peguei o documento e, claro, nova senha. Fui atendida por outro que disse que eu teria que esperar a visita de agentes de saúde para então marcar a consulta. “Moço, meu marido foi atendido pelo médico no mesmo dia em que esteve aqui. Não foi nenhum agente em casa até hoje”. Ele me fuzilou com o olhar e voltou a mexer nos papéis que eu havia entregue. “Ah, aqui está a certidão de casamento”, disse, como se eu já não tivesse apresentado o documento a ele no início do atendimento.
Prestígio?
Um dia na redação do Diário da Amazônia, uma colega atendeu ao telefone. Era uma colunista do interior do estado convidando-a para escrever uns artigos para uma revista. -“Ah, que beleza”, respondeu a minha colega. -“E quanto é o cachê?”, perguntou. -“Você terá o prestígio de ter seu nome na minha revista”, respondeu a colunista.
Apenas uma placa

Não é apenas um nome de cidade na placa. É a cidade da minha história. Ela estava sempre ali, por onde eu andava, me lembrando de onde vim. Algo tão simples e que me fez sentir um aperto no coração quando recebi as fotos enviadas pelo Zé Carlos diretamente do Detran.
Porto Velho não estava mais ali. São José agora é quem estará comigo por onde eu for.
Feijão sem marketing
Quando exatamente eu não lembro, mas há muito tempo adquiri o hábito de ler rótulos de produtos, verificar procedência, validade, composição etc. Minha primeira interação com empresas ou marcas devido a algum problema relacionado a serviço ou produto foi há 20 anos, disso eu lembro bem, pois tem a ver com o meu filho. Na hora de passar a lata de cereais (para o preparo do mingau) o valor cobrado pela caixa era diferente do anunciado na prateleira. Opa! Peralá, moça, que não está certo. Recorri ao Código do Consumidor, meu conhecido e, claro, paguei o menor preço – não sem antes fazer todo um discurso, eu era dessas.
Mostra mais, Globo!
O prefeito Marcelo Crivella disse a uma repórter, durante coletiva, que é perseguido pela emissora na qual a profissional trabalha, a Rede Globo. Segundo ele, a TV “faz drama” com situações corriqueiras da cidade do Rio de Janeiro. Sério, senhor? Essa série de acontecimentos dos últimos dias é algo assim, normal para a cidade por que ela tem morros, geografia acidentada? Foi mais um evento cotidiano o desabamento de prédios na manhã desta sexta-feira (12) e a morte de dois cidadãos, prefeito?
