Eles não foram com a minha cara

Fui à Unidade Básica de Saúde do bairro para me cadastrar e marcar consulta com um clínico geral. O primeiro atendente exigiu certidão de casamento para provar que eu moro no endereço apresentado. Voltei em casa e peguei o documento e, claro, nova senha. Fui atendida por outro que disse que eu teria que esperar a visita de agentes de saúde para então marcar a consulta. “Moço, meu marido foi atendido pelo médico no mesmo dia em que esteve aqui. Não foi nenhum agente em casa até hoje”. Ele me fuzilou com o olhar e voltou a mexer nos papéis que eu havia entregue. “Ah, aqui está a certidão de casamento”, disse, como se eu já não tivesse apresentado o documento a ele no início do atendimento.

Preencheu algumas fichas, fez meu cartão de paciente e então perguntou: “A senhora quer consulta para quê? É algum check up?”. Para não ser jogada em uma consulta somente em junho ou 2020, respondi: “Tenho um tumor na cabeça e preciso de acompanhamento”. Pronto. Consulta marcada para segunda-feira, às 10h.

Sinceramente, eu nem lembrava do tumor e que preciso refazer os exames para ver como está o bichinho. Queria apenas que o médico avaliasse uma “lombada” que apareceu na minha coxa. Mas, se eu respondo isso, ele poderia me mandar procurar um especialista particular.

Cheguei em casa e contei o acontecido. Esses dois funcionários foram os mesmos que atenderam ao Zé Carlos “muito bem” semanas atrás.

E teve mais. Na sala de vacina contra Influenza, dei o braço para ser picado, mas a vacinadora pediu o glúteo. “Ué? Mas não é o braço?”, perguntei. “O certo é o glúteo, fazem no braço, mas não é o correto”, respondeu, enfática.

Adivinha? Isso mesmo, o Zé Carlos foi vacinado, por essa mesma funcionária, no braço e recebeu até algodãozinho.

Eles não foram com a minha cara.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *