2018 chegando ao fim com grandes mudanças. Quase 3,5 mil quilômetros de mudança. Sair do Norte e ir para o Sul nunca foi minha intenção até conhecer Florianópolis em janeiro de 2012. A paixão surgiu assim, instantaneamente, o amor fixou morada em pouco tempo e o desejo de morar nesse lugar encantador foi se firmando com o passar dos anos.
Além do salão de beleza
Assisti ao ‘Felicidade por um fio’, da Netflix, após indicação da querida Êrica no Blog Ré Menor. Meu objetivo era apenas distração, queria algo leve e só. Mas nos primeiros minutos do filme eu percebi que não seria apenas diversão.
A protagonista – uma publicitária bem sucedida – desde criança tinha como objetivo ser perfeita em tudo. Desde a aparência física até o comportamento na fila do pão. A mãe dela a fez pensar que ser assim a livraria de sofrimentos e a levaria ao sucesso, que nesse caso se traduz em um “bom casamento”. Para garantir isso, a moça estava sempre impecável, inclusive antes de se levantar pela manhã. A principal obsessão dela era o cabelo que, crespo, mantinha sempre lisinho.
Amores de outubro
Porto Velho, onde nasci e vivo desde sempre, completa nesse 2 de outubro 104 anos de criação. Há 11 anos eu produzi e escrevi um especial para o jornal Diário da Amazônia sobre essa efeméride. Na época era repórter e pedi ao meu editor que me autorizasse a fazer o suplemento comemorativo. A pauta: queria falar sobre o que é ser porto-velhense, fazer com que o leitor se identificasse. Não contar apenas a história da cidade, mas das pessoas – os hábitos, as tradições, o seu jeito de falar.
Bandana da liberdade
Tenho um lenço multi-função que levo sempre no porta-luvas do carro. Ele já secou suor, limpou pingos de sorvete que escorreu na roupa, retirou poeira do sapato e até serviu como babador para Azula no seu primeiro passeio de carro. Hoje eu o lavei após ter sido utilizado como curativo de urgência pelo Zé Carlos que machucou o braço no banco do carro.
O vento da faxina
Minha vó dizia que quando retiramos a poeira, limpamos e organizamos a casa, o vento entra pela porta. Lembro-me da vovó dizendo isso um dia quando eu terminei de varrer a cozinha da casa dela, em Campo Grande, há mais de 30 anos.
Todas as vezes que faço faxina em casa, daquelas cheia de energia e vontade de ter a casa limpa e agradável, como fiz hoje, espero o vento entrar. Ele sempre chega de mansinho espalhando o cheiro de limpeza e a sensação de conforto. Isso me faz tão bem.
A história da casa
Há 10 anos nos mudamos para a rua Bandeirantes. Era o começo oficial de uma nova família. Estávamos morando juntos há alguns meses, mas de forma improvisada na kitnet do Zé Carlos. Dois adultos e uma criança. Nada parecido com o quarto apertado de décadas passadas, claro.
Foi uma verdadeira saga até, enfim, mudarmos para nossa casa. Para começar, foi difícil encontrá-la. Procuramos nos bairros que queríamos morar, e nada! Levamos cano de muito corretor, que marcava e não aparecia. Visitamos casas esquisitas e outras cheias de energia desagradável. Eu não aguentava mais tanta demora. Precisava entregar a minha ex-casa para o novo dono. Então não teve jeito. Fomos João Pedro e eu para o apêzinho do Zé Carlos.
Um quarto apertado
Quando menina, dividia um quarto com minhas três irmãs. Anos depois, adolescentes, mudamos de casa. Era uma casa grande, com quatro quartos – mas estava na fase de acabamento, que deve ter durado uns 10 anos, talvez menos. Já não éramos quatro. Tinha nascido o primeiro (e único) menino e a última irmã estava a caminho. Por uns três meses ficamos nós, seis filhos, com nossos pais em um quarto. Desnecessário enumerar os problemas e dificuldades que enfrentamos com tanto aperto e desconforto.
Minha primeira e difícil mudança
Eu nasci e vivi até os 13 anos na rua José Bonifácio, bairro Pedrinhas, em Porto Velho. No centro do mundo, do meu mundo. No dia que papai colocou a casa à venda minhas irmãs e eu ficamos bem descontentes. Mas ninguém ficou mais desesperada do que eu.
No dia da mudança, lembro-me bem, me agarrei ao telefone e não queria largar, falando com uma grande amiga – da qual não tenho notícias há uns 30 anos, pelo menos -, seria o fim da minha vida viver longe dela, oh Deus! Eu chorava, esperneava em cima do caminhão da mudança. Que cena!
No aguardo
Minha casa está à venda há dois meses, nesse período muitas pessoas entraram em contato, algumas visitaram o imóvel, outras marcaram e não apareceram.
Eu apenas sorrio e aceno, pacientemente, aguardando o novo proprietário chegar.
O cheiro da toalha azul
Alguns sabores e cheiros trazem lembranças para você? Sim, né? Acho que todo mundo tem esse baú de recordação. Cheiro de pão com manteiga molhado no nescau me remete à lancheira do pré-escolar. Nossa! O cheiro é muito específico. Ficava impregnado na toalha que eu usava para cobrir a mesa e então merendar no Jardim de Infância Branca de Neve – que está de pé até hoje recebendo “o futuro do Brasil”.
