Bandana da liberdade

Tenho um lenço multi-função que levo sempre no porta-luvas do carro. Ele já secou suor, limpou pingos de sorvete que escorreu na roupa, retirou poeira do sapato e até serviu como babador para Azula no seu primeiro passeio de carro. Hoje eu o lavei após ter sido utilizado como curativo de urgência pelo Zé Carlos que machucou o braço no banco do carro.

Enquanto lavava o bat-lenço, viajei no tempo. Estava no Cohab indo para a Escola Barão do Solimões, no Centro de Porto Velho. Usava minissaia, All Star cano alto e uma bandana na cabeça. Conversava com os meninos do Senai. Troquei de tênis com um deles. Um lado apenas. Fiquei com meu tênis preto manchado de Q-Boa (arte minha) num pé e no outro um meio chumbo do meu colega.

Antes de chegar à escola, tirei a bandana da cabeça e amarrei na coxa. Nos dias seguintes, algumas meninas apareceram na escola de minissaia e bandana. Fui chamada na direção. Ouvi “sermão”. Estava dando mau exemplo. Um escândalo.  Usar bandana na coxa era uma espécie de contravenção do regulamento moral da escola. Eu ameacei a ordem e os bons costumes das colegas do colegial. Olha que perigo!

O lenço multi-tarefa é roxo com desenho meio indiano. Lembra palidamente a minha bandana da adolescência. Algumas lembranças estão sempre presentes e às vezes ficam visíveis para que não esqueçamos quem fomos, quem somos, quem queremos ser.

A bandana para mim representa a liberdade que quero ter em ser quem sou.

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