Para cada estado da alma, um filme, um livro ou o silêncio. Hoje, tranquila, acompanhei a vida de Manana, uma professora solitária e melancólica que mora na Geórgia, mas pode ser a vizinha da frente, uma conhecida ou você mesma. “Mulher de 52 anos sai de casa e choca família tradicional georgiana” – é basicamente a sinopse do filme My happy family produzido pela Netflix.
Viver é uma dádiva
João Pedro costuma reclamar de algum incômodo, seja qual for, e ao final do lamento diz: Mãe, acho que estou morrendo aos poucos. Minha resposta é sempre parecida: Morremos a cada dia, por isso precisamos viver mais. Com a quantidade de notícias de morte que chega todo dia é fácil perceber que a vida é muito mais passageira do que costumamos pensar.
Severino quer mudar
Tenho uma família relativamente grande, se considerar tios e primos com os quais não tenho ou nunca tive contato algum. Mas se contar apenas os próximos é bem pequena, mãe, irmãos e sobrinhos – e agora minha tia, que está bem próxima. Mudei-me para Santa Catarina e ela mora ali, na Ilha, e eu aqui, no Continente. Coisas da vida.
Além do salão de beleza
Assisti ao ‘Felicidade por um fio’, da Netflix, após indicação da querida Êrica no Blog Ré Menor. Meu objetivo era apenas distração, queria algo leve e só. Mas nos primeiros minutos do filme eu percebi que não seria apenas diversão.
A protagonista – uma publicitária bem sucedida – desde criança tinha como objetivo ser perfeita em tudo. Desde a aparência física até o comportamento na fila do pão. A mãe dela a fez pensar que ser assim a livraria de sofrimentos e a levaria ao sucesso, que nesse caso se traduz em um “bom casamento”. Para garantir isso, a moça estava sempre impecável, inclusive antes de se levantar pela manhã. A principal obsessão dela era o cabelo que, crespo, mantinha sempre lisinho.
Somos nós no retrato
A poucos dias das eleições sobram dúvidas e faltam convicções de que o Brasil avançará rumo ao futuro que, há anos, ouço dizer que é dele.
As discussões em torno das candidaturas que se apresentam para governar o País nos próximos quatro anos saíram do círculo do respeito e educação e entraram nas rodas de embates violentos e desrespeitosos. De todos os lados há desentendimento. Não importa a bandeira partidária, o diálogo inteligente e fraterno foi deixado de lado.
O vento da faxina
Minha vó dizia que quando retiramos a poeira, limpamos e organizamos a casa, o vento entra pela porta. Lembro-me da vovó dizendo isso um dia quando eu terminei de varrer a cozinha da casa dela, em Campo Grande, há mais de 30 anos.
Todas as vezes que faço faxina em casa, daquelas cheia de energia e vontade de ter a casa limpa e agradável, como fiz hoje, espero o vento entrar. Ele sempre chega de mansinho espalhando o cheiro de limpeza e a sensação de conforto. Isso me faz tão bem.
Viagens que me escolhem
Há alguns anos, tomei gosto por viajar e passei a me organizar para isso. Anotava feriados, possíveis folgas e planejava a viagem, mesmo sem saber ao certo o destino. Dependia do preço da passagem. Queria ir a São Luís, mas não dava? Opa, vamos então para Aracaju. Preços estão ótimos e podemos aproveitar para ficarmos uns dias em Salvador. E assim foi feito. Teve um ano que fomos duas vezes a Mato Grosso, passagens baratíssimas e feriados não faltavam. Mesmo estado, destinos distintos: primeiro, Chapada dos Guimarães e no feriado seguinte fomos conhecer as águas transparentes de Nobres.
Valor somos nós quem damos
O quintal da minha casa é um jardim. Tem palmeiras, primaveras, pimenteiras, muitos cactos, uma variedade de plantas cujos nomes desconheço. A alegria desta semana foi acompanhar o desenvolvimento das primeiras jabuticabas, após quase quatro anos de espera.
Essa árvore resistiu ao escavamento frenético do Argus Maximus. Ela chegou aqui sendo uma frágil plantinha e na terceira vez que foi retirada do chão pelo Argus, ficou em três pedaços. Insistente e otimista que sou, plantei novamente, reforcei a proteção contra as brincadeiras caninas e ela seguiu o curso da vida.
Rua sem saída
Sabe quando você chega perto da estrada sem saída e não sabe que direção tomar? É assim que me sinto quando não posso fazer nada para ajudar alguém que amo. Vou indo, indo, indo. A rua chega ao fim e o problema continua.
Vejo-me numa colina com um grande abismo a frente conversando com a pessoa, que parece até que está me ouvindo, mas ela começa a se afastar de mim. Que desespero!
Você não está vazio de amor
Nas últimas semanas tenho feito um regime de palavras. As negativas eu não posso engolir. E o Twitter, a rede que eu mais gosto, está repleta delas.
Penso sempre quando leio (ou ouço) “que ódio!” se a pessoa faz a miníma ideia do que representa essa palavra, a força dela. Para se ter ódio de algo você tem que estar muito vazio de amor. Não acredito que todos estejam. Deus nos livre!
