A carola que restava em mim

Uma cena da série Fleabag (Amazon Prime) me causou inesperada indignação e revolta. Quase dei um pulo do sofá quando o personagem de Andrew Scott beijou Phoebe Waller-Bridge. Eles estavam num confessionário e se agarraram desatando a paixão contida em episódios anteriores. Qual o problema? Ah, mas você não sabe? Ele é O Padre.

Essa situação me trouxe uma verdade que eu nem sabia que existia. Pensei que isso fosse caso passado, mas não! Ainda está aqui entranhado. E dá para ser diferente após séculos e séculos de tradição religiosa e moralismo exacerbado? Eu me senti ridícula ao ter a reação de alguém da idade média.

Como pode, eu, uma mulher do século 21, me incomodar com o relacionamento de dois adultos? Foi o meu primeiro questionamento íntimo (e em voz alta), após ter pausado a série e me revirado em indignação e risos pelo comportamento inusitado.

“O que tem a ver o cara ser padre e ele ter beijado a mulher? É, mas foi dentro da igreja! E daí, minha senhora? A senhora está louca?” – foi assim o monólogo.

A única explicação que encontrei está na carolice milenar. Eu não sou católica. Fiz a primeira comunhão aos 11 anos e desisti da crisma aos 14 porque o catequista só queria falar de política ( inclusive o encontrei muitos anos depois como procurador do município, mas isso é outra história). No entanto, há muito tempo vivemos numa sociedade em que a igreja católica comandava nossas vidas. Entramos e saímos de existências com a igreja e seus dogmas, seu rituais e seus códigos no comando.

Vejo quem nem vai à missa fazer o sinal da cruz ao passar em frente a uma igreja. Quem não é católico fazer promessa e quem é católico pedir ajuda dos santos da umbanda. A sociedade poderia ser assim, um grande sincretismo e cada qual cuidando de sua vida.

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