Primavera em nós

Pelo calendário astronômico, às 10h31 de hoje (22) começou oficialmente a primavera no Brasil. Isso não significou que o frio foi embora, o sol apareceu e todas as árvores recobraram o verde. Não, nada disso. Mudança não tem dia e nem hora marcada para acontecer, mas tem um processo que começou antes e, às vezes, nem percebemos.

Em julho do ano passado ficamos meio assustados e tristes com o pé de resedá que havíamos plantado meses antes. Ele mingou, perdeu as folhas, se recolheu. Para piorar a nossa análise, o comparamos com a frondosa árvore da mesma espécie que tínhamos em frente à cozinha de nossa casa em Porto Velho. Ela floria quase o ano todo. Apenas por um período curto as flores escasseavam.

O resedá catarinense estava muito abatido, aparentemente morto. No entanto, ao tocar o tronco e os caules percebíamos que ele continuava vivo. Então decidimos deixá-lo quieto, não cobrar nada, mas continuar o alimentando com atenção.

Neste ano a situação se repetiu. Desta vez não nos alarmamos. Logo ele estará de volta, com suas folhas miúdas e flores cor de rosa que os insetos e os beija-flores adoram, seus caules que são base de descanso para passarinhos. Antes do dia 22, data oficial da mudança de estação, o resedá disse que estava bem. Ele mostrou um brotinho tímido e solitário, que poucos dias depois já estava bem acompanhado.

Acho que somos como o resedá quando decidimos mudar algo em nós. O inverno é aquele período em que estamos nos desfazendo do que não cabe mais na nossa vida e tateando o caminho da transformação. Na primavera surgem os brotinhos da mudança e isso nos anima para o verão.

Nem sempre é fácil, não é rápido e não existe mágica. É preciso começar adubando a ideia, criando o clima, regando com determinação.

Como está o adubo do seu coração e o clima da sua alma para as mudanças que você tanto quer?  

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