Racista aqui não tem vez

Semana passada eu ouvi e não quis saber detalhes sobre o assassinato do João Alberto, no Carrefour de Porto Alegre. Não assisti ao vídeo, mas não preciso dele para saber que o racismo matou mais um brasileiro.

O Brasil é um país racista, muito racista, racista demais, racista há muito tempo. Não importamos o racismo de lugar nenhum. Ele nasceu aqui nessas terras quando homens, mulheres e crianças negras foram transformadas em objetos. Ele cresceu e se mantém vivo até hoje porque temos feito pouco para combatê-lo. Leis apenas não resolvem esse problema histórico. É preciso educação.

As escolas têm que ensinar, falar abertamente sobre isso e deixar claro o que é o racismo. Os pais precisam conversar com os filhos a respeito do racismo. Explicar que cor de pele não faz ninguém melhor nem pior, que isso não é motivo para descriminação. Eu precisei falar isso várias vezes com o meu filho quando ele chegava da escola e relatava que alguém havia xingado o amigo preto. Até hoje, aos 22 anos, ele ainda me pergunta o por quê do racismo.

Não sou estudiosa do tema. Sou antirracista e mesmo assim às vezes tenho pensamentos discriminatórios que, eu sei, estão enraizados há muitos séculos em mim. Mas eu os combato.

Se você acredita que não há racismo no Brasil, que tudo não passa de “frescura”, eu te convido a se retirar daqui e se quiser continuar tendo minha atenção na vida real não se revele e aproveite para rever esse conceito abjeto de que a tua pele clara tem mais valor do que a preta, retinta, azulzinha petróleo.

Me diz se acha que a tua pele alva vai ser conservada quando a terra e os vermes a comerem antes de você chegar do lado de lá e dar de cara com os pretos sorrindo e te perdoando ou xingando e te perseguindo.

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