Foram dias de aflição, dúvida, medo. Depois, dias de animação misturados com um pouco de esperança.
Esperança que eu não queria sentir. Eu evitei a todo custo qualquer pinguinho de expectativa, para não ser destruída pela realidade.
Meu otimismo e a possibilidade se abraçaram, trancados os dois em um quarto-cofre, e lá ficaram até a noite de sábado, quando não aguentei mais. Ansiedade, pânico. Fui socorrida e recobrei a coragem.
No domingo, após horas que se estenderam como agosto, o alívio veio. Chegou devagar, tímido como quem não quer assustar.
Quem era de gritar, gritou; quem era de dançar, dançou; quem era de rezar, rezou; quem era de chorar, chorou.
25 de outubro de 2026. Abri o quarto-cofre e saí para o quintal: havia sol.

