Os 50 anos chegaram e eu não estava preparada

O tempo sempre passou com suas horas sem eu nunca ter me dado conta de que ele estava contando cada uma delas. Essa despreocupação durou até os meus 25 anos, quando nasceu o João Pedro, meu filho. Como toda mãe, o medo do tempo daquela criança passar e eu não ver era constante. E foi isso mesmo que aconteceu. As horas passaram, os dias voaram, os anos se esgotaram naquele conta-gotas finito. 

No ano passado, quando completei 50 anos, olhei para o meu tempo, os meus dias. E percebi que eu não me preparei para chegar aqui. Eu vivi cada dia com muita ansiedade pelo dia seguinte. Isso não é planejar, é jogar o barquinho da vida no rio e deixar ele ir ao sabor do vento, da correnteza. 

Os meus planos eram outros, incluíam até mudança de cidade. Mas nada sobre envelhecer. Não estou falando de cabelos grisalhos, rugas e flacidez. 

Um dia, na academia do Sesc, fui ao atendimento solicitar o boleto físico porque o app não estava gerando o digital. “Deixa eu mostrar para a senhora como pagar pelo app”, disse o moço sem nem ter prestado atenção no que eu tinha acabado de relatar. Gentilmente, repliquei a minha explicação, e como ele continuou insistindo que o problema era a incompetência tecnológica demonstrada pelos meus cabelos grisalhos, tive que reagir acima do preconceito dele. O etarismo está em todos os lugares, não se enganem. 

Isso me incomoda e me deixa furiosa em algumas situações. Mas não é disso que estou falando.

O que me aborrece mesmo são as dores que eu chamo de aleatórias. Sentada, tomando café e “ai!”. Do nada, uma pontada na perna, um incômodo nas costas, um desconforto no abdômen, uma dor de cabeça súbita. Há uns três meses quem insiste em me acompanhar é uma dor no dedinho da mão direita que quando está inspirada e cheia de vontade fica o dia todo, e me força a usar a mão esquerda. Agora tem até hora para chegar, ali pelas 18h ela já dá os primeiros sinais e fica até umas 10h. Mas tem dia que é como hoje, está comigo desde ontem e me impede de digitar com os todos os dedos, como aprendi no curso de datilografia. Talvez o fato de eu ter falado “datilografia” justifique a presença dela. Olha o etarismo aí!

A minha sorte é que a maturidade chegou muito antes dos 50.

O tempo passou e eu não percebi

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