Pernilongo, muriçoca, carapanã, mosquito. Como você chama esse bichinho azucrinante? Antes que você responda: “eu não chamo, ele vem sozinho”, vou tentar “adivinhar”. Se você mora no sul, sudeste e centro-oeste do país, possivelmente, esse insetinho seja o pernilongo. Caso more no nordeste, o dito cujo é batizado de muriçoca. No entanto, quem mora na região Amazônica, no norte do Brasil, o bicho é chamado de carapanã.
Eles não foram com a minha cara
Fui à Unidade Básica de Saúde do bairro para me cadastrar e marcar consulta com um clínico geral. O primeiro atendente exigiu certidão de casamento para provar que eu moro no endereço apresentado. Voltei em casa e peguei o documento e, claro, nova senha. Fui atendida por outro que disse que eu teria que esperar a visita de agentes de saúde para então marcar a consulta. “Moço, meu marido foi atendido pelo médico no mesmo dia em que esteve aqui. Não foi nenhum agente em casa até hoje”. Ele me fuzilou com o olhar e voltou a mexer nos papéis que eu havia entregue. “Ah, aqui está a certidão de casamento”, disse, como se eu já não tivesse apresentado o documento a ele no início do atendimento.
Apenas uma placa

Não é apenas um nome de cidade na placa. É a cidade da minha história. Ela estava sempre ali, por onde eu andava, me lembrando de onde vim. Algo tão simples e que me fez sentir um aperto no coração quando recebi as fotos enviadas pelo Zé Carlos diretamente do Detran.
Porto Velho não estava mais ali. São José agora é quem estará comigo por onde eu for.
Feijão sem marketing
Quando exatamente eu não lembro, mas há muito tempo adquiri o hábito de ler rótulos de produtos, verificar procedência, validade, composição etc. Minha primeira interação com empresas ou marcas devido a algum problema relacionado a serviço ou produto foi há 20 anos, disso eu lembro bem, pois tem a ver com o meu filho. Na hora de passar a lata de cereais (para o preparo do mingau) o valor cobrado pela caixa era diferente do anunciado na prateleira. Opa! Peralá, moça, que não está certo. Recorri ao Código do Consumidor, meu conhecido e, claro, paguei o menor preço – não sem antes fazer todo um discurso, eu era dessas.
Terra de ninguém
Nas duas últimas semanas tenho dedicado algumas horas do dia para procurar trabalho. Busco por vagas em São José, Florianópolis ou Palhoça. Entrei em grupos de emprego no Facebook, muito mais por curiosidade do que alguma certeza de que ali haveria algo para mim. Nesses grupos há uma variedade de cases de pessoas despreparadas, ingênuas e mau-caráter, para citar alguns perfis. Tem gente que realmente acredita que digitar ‘ok’ em uma publicação serve como um contato profissional. Outras creem que uma empresa grande está contratando pelo Facebook, basta informar o número do telefone. No grupo de mau-caráter estão aquelas criaturas que postam vagas falsas pelo simples prazer de enganar, que se valem do desespero de quem está desempregado para pegar mão de obra de graça, porque ao fim do “contrato” dá calote. É lamentável.
Primeiros dias no Sul
As pessoas me perguntam: e aí, já se acostumou? Está sentindo muito a mudança? E nesses primeiros 30 dias a resposta tem sido a mesma: Estou tranquila, como se não houvesse saído do Norte para o Sul do país. Não sei se é porque não houve ainda tempo para pensar, ponderar sobre isso. Agora meu foco é organizar a casa nova e isso demanda dedicação e muita energia.
