Dor de todas nós

Esses últimos dias no Brasil têm sido de tragédias, essas que todos sabem, ouvem falar, acompanham na TV. Elas chocam a todos, consternam, incomodam. Famílias que sumiram na lama em Brumadinho, relatos de mães que perderam filhos, de filhos que ficaram órfãos, homens e mulheres viúvos. Uma tristeza sem fim. Histórias que comovem, que nos deixam perplexos com os estragos provocados pela irresponsabilidade de empresas e governos. Meninos que morreram carbonizados em um contêiner transformado em alojamento provisório. Crianças que saíram de casa para viver o sonho de ser jogador de futebol e que retornaram em um caixão lacrado.

Imagino quantas mães nesse País se uniram em oração às mães desses meninos. Desde que me tornei mãe nunca mais uma morte teve o mesmo impacto para mim. A dor dela é minha também. Dor é muito pouco para definir essa devastação na alma, mas ninguém conseguiu nominá-la, pois é gigantesca, indescritível. 

Todos os dias morrem dezenas, centenas, milhares de filhos mundo a fora. No Brasil morrem muitos deles, faça chuva, faça sol. No asfalto da rua comercial, do bairro elegante, nas favelas, nos morros, nos hospitais, nas escolas.  As tragédias são diárias. Não enxergamos todas, nem ao menos ficamos sabendo, mas elas existem. No mesmo dia que os 10 meninos do CT do Flamengo morreram no incêndio, outros jovens morreram em disputa de tráfico. Estavam onde não deveriam estar, poderiam estar trabalhando, estudando ou na praia. Mas, por escolhas que não foram somente deles, estavam ali onde não deveria estar filho de ninguém.

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