A vida sem esperança é como um jardim com plantas de plástico. Como levantar da cama pela manhã sem a expectativa de que o dia poderá trazer uma boa notícia, sendo ele – o dia – a própria esperança?
Não é fácil estar num dia assim, acreditando que o nada é a melhor companhia. Nesse ano que está quase no fim, houve muitas manhãs, tardes, noites e insones madrugadas perdidas na desesperança.
Eu me questionava, brigava comigo. Não fazia sentido para mim aquele sentimento de desamparo. Mesmo sabendo que a vida é cheia de altos e baixos, não estava certo eu desabar na tristeza nem mesmo que por algumas horas.
Tudo ficou mais fácil quando eu aprendi a sobreviver a dias que parecem não ter nenhuma pontinha de cor.
Sou tantas em uma só. Sou centenas de vidas nessa existência, que é única. São tantas experiências, tantas dores e alegrias, conquistas e fracassos que tenho dentro de mim que há dias que elas me recobram a memória do ser que sou e então eu entristeço e me aborreço.
Noutros eu canto sem nem saber cantar, me aventuro onde nem sabia que poderia ir, chego aonde não imaginava possível. Tudo porque o meu eu me diz: sim, você pode e vai!
Acreditar, ou melhor, saber que a vida é mais do que umas horas de desconsolo é fundamental. Faz parte de nossa humanidade os momentos de incerteza. Importante não se apegar a eles.
A melhor boia para o mar da existência é a esperança. E tenho provas.


boia da existência
A vida sem esperança é como um jardim com plantas de plástico