Cheirinho de vida

Segurança, conforto, alegria, vida pulsando. Acordar pela manhã e sentir o cheiro do café é a certeza de que o Zé Carlos está bem e eu estou viva.

Essa é a minha prova matinal de que ganhei mais um dia para viver ao lado de quem amo. Eu disse isso e ele se surpreendeu. Não imaginava que o cafezinho preparado para a família tinha assim tanto significado, além da benção de termos o alimento à mesa. Leia mais

Dias estranhos

Essa semana está sendo bem estranha. Sem querer, soube que na minha Carteira de Trabalho Digital – da qual desconhecia a existência – estou registrada desde 2013 como ‘operadora de máquina pesada’ no Governo de Rondônia. O período entre 2015 e 2018 como coordenadora de conteúdo não aparece na tal carteira. Ainda não consegui resolver esse mistério. Leia mais

Aproveita o embalo

Nas últimas três semanas tenho sonhado com o meu pai em situações cotidianas, aquelas que não damos importância. Hoje entrei numa conversa sobre suculentas no grupo de whatsapp dos meus irmãos e disse: “Por falar nisso, eu fiz hoje um brigadeiro com chocolate a 80%!”. E depois completei: sonhei com o papai. Leia mais

O menino da foto

Antes de desligar o celular para ir dormir, conferi uma mensagem enviada por minha irmã número 2, a Aerllen. Era uma foto do João Pedro com três anos de idade. Foi como se eu tivesse sido empurrada para uma espiral que abriu uma porta cheia de lembranças sensoriais.

Feminidades

Nesta semana a minha irmã número cinco (são seis), a Dani, fez um procedimento cirúrgico delicado e significativo para uma mulher. Para impedir o desenvolvimento de um tumor, ela retirou o útero. Foi tudo muito rápido, uma semana entre o diagnóstico, que veio após exame de rotina, e a histerectomia.

Por motivos diferentes, minha irmã número dois, a Kárita, passou por essa cirurgia no ano passado. Em dezembro de 2014 eu “estreei” nessa experiência. Também foi rápido. Uma dor misteriosa interrompeu um final de semana num hotel fazenda no interior de Rondônia. Primeira avaliação deu apendicite, mas não era. Agradeço a essa dor, que não tinha relação alguma com o problema, ter me mostrado o que eu precisava saber .

A cirurgia que minhas irmã e eu passamos não tem relação genética, pois eram problemas diferentes. Se coincidência existisse, eu diria que essas histerectomias “entre irmãs” é um grandessíssimo exemplo de sincronia universal.

O macacão da reflexão

O dia 9 de março passado foi muito esperado por todos nós (três!) aqui de casa. O João Pedro finalmente iria iniciar um curso técnico na área que inspira realizações. No final de semana anterior ao grande dia, fomos ao shopping comprar camisetas novas. Numa das lojas que entramos, fiquei encantada com um macacão que era do jeito que eu não estava precisando, lindo como eu imaginei que queria e com a etiqueta decisiva ‘Liquida’.

Hoje, ao abrir o armário para pegar uma camiseta, me deparei com ele, o macacão que eu comprei “porque sim” há um mês e nunca usei.

As camisetas novas do João Pedro não foram inauguradas. Não deu tempo de usar todas no curso, nos únicos seis dias de aula. A quarentena se estabeleceu e tudo mudou.

Um macacão no fundo do armário, um curso sem aulas, camisetas nas gavetas. O que é isso diante de tudo o que vem ocorrendo nas últimas semanas no Brasil? Isso mesmo! Não é nada!

É uma pequena reflexão sobre a nossa quase que total falta de controle sobre a vida. Digo quase porque podemos controlar algumas coisas sim! Podemos escolher ser pacientes e gentis, generosos e bem humorados. Podemos nos calar diante da vontade de criticar, podemos ser pessoas melhores.

Nossa, mais que clichê, hein?

E não é? O que estamos vivendo hoje no planeta é um lugar comum daquelas palestras de coaching 0800. “Perceba o que o universo quer de você, qual recado está enviando nesse momento?”

E vamos ouvir esse grande coaching que é o coronavírus: volte para casa, repense seus hábitos, reveja conceitos, recrie rotinas e perceba o que realmente tem valor.

No dia que eu aprender essa lição e poder sair de casa, vou de macacão novo.

Nove meses de home office

Desde julho passado, quando comecei no Jornal Notícias do Dia, faço teletrabalho. A apuração é feita por telefone, aplicativo e e-mail. Claro que em muitas pautas preciso sair e então vou e volto de Uber. Tenho minha própria redação, mas cumpro as cinco horas contratuais, que são registradas no aplicativo da empresa. O contato com a redação – localizada no Morro da Cruz, em Florianópolis – é, basicamente, pelo WhatsApp.

Os primeiros três meses foram de adaptação ao home office. Muito barulho, entra e sai, distrações, cães latindo e por aí vai. Agora os demais ocupantes da casa entenderam como funciona, que eu estou trabalhando e preciso estar concentrada.  Os cães nem sempre conseguem resistir ao caminhão da coleta de lixo ou a um colega cachorro que passa na rua, por isso, sempre antes de começar uma entrevista por telefone deixo eles presos.

Também aprendi a parar de verdade para fazer o intervalo de 15 minutos.  Aproveito para passar um café e dar atenção aos carentes Argus, Azula e Atena.

Eu moro e trabalho no mesmo lugar, sendo que faço dupla jornada – sou dona de casa e jornalista, portanto, respeitar horários é fundamental. Meu tempo máximo na cozinha é até as 13h para que eu possa começar meu turno jornalístico às 14h.

Nesses dias de quarentena, quanto ao home office, para mim está tudo certo, pois esse é meu modo de trabalho há nove meses. Não precisei comprar álcool em gel para minha bancada porque há água e sabão por perto.

Quanto a não sair de casa, aí é outra história.

Brincar de dormir

Hoje eu lembrei de uma das tantas noites que, cansada e com muito sono após um longo dia de tripla jornada, tentava distrair e esvaziar as pilhas do João Pedro.

Ele gostava que eu lesse o Soldadinho de Chumbo (Hans Christian Andersen/1838) e isso era quase que diário. Às vezes eu pulava algumas partes e ele reclamava, segurava a minha mão e dizia: – Não, mamãe, não é assim.

Uma brincadeira recorrente pré-sono era a de quem dormiria primeiro. Mas teve um dia que ele cansou e não quis mais brincar de dormir.

– Vamos brincar de quem dorme primeiro, filho?

– Não, a senhora sempre ganha.

Pais ou servos?

Você provavelmente já presenciou uma cena semelhante. No restaurante entra um casal com uma criança, que vai de um lado a outro escolhendo uma mesa para o jantar. “Não, não. Aqui não, é melhor ali”, determina o menino (ou menina), para logo mudar de ideia. O garçom morde os lábios, revira os olhos – mesmo que disfarçadamente, mas você percebe, porque está fazendo o mesmo.

E situações assim se repetem no transporte, seja no avião durante a viagem de férias ou o ônibus escolar, no supermercado (eu queeeero!!) e por onde quer que eles estejam. Eles, os pais sem autoridade e os filhos “dominadores”.

As crianças se aproveitam da permissividade dos pais para agir como bem entendem e assim satisfazer suas vontades, que podem ser apenas mostrar quem manda.

Para esses pais, a criança é alguém com gênio forte, cheio de personalidade. Para os filhos deles, o pai e a mãe são seus realizadores de vontades.

No final de semana presenciei um menino de uns cinco anos fazer os avós de bestas indo de um canto a outro do restaurante escolher a mesa. Isso me fez lembrar de quando meu filho, então bem pequeno, após uma ordem minha (isso mesmo, ordem), perguntou entre os dentes:

– Quando vou mandar na senhora?

– Nunca, porque sou sua mãe e isso nunca vai mudar nessa vida.

Não é por acaso que somos pais. Estivemos na posição de filhos crianças e adolescentes e tivemos bons pais – e não amigos – para sermos educados. Que tal repetir a fórmula com os que estão sob nossa tutela?

Ah, sim. É claro que em alguns casos é preciso algumas adaptações e correções no roteiro. O tempo da vara de goiabeira ficou no passado e deve morrer por lá.

Breve história da Atena

Ao abrir as cortinas do quarto na manhã de sexta-feira (17) vi na calçada do vizinho um cachorro desconhecido. Corri para saber quem era e logo percebi que ele estava com uma patinha machucada. Fui conversar com ele, que fugiu mancando. Após muita insistência voltou desconfiado e então soube que era ela.  Dei ração, água, atenção e recebi muitos sorrisos. Leia mais