A briga com o capim

Hoje eu fui vencida por um pé de capim. Na verdade são vários nem sei quantos brotaram da muda que eu trouxe da rua. Aqui em Santa Catarina tem uma variedade de capins, todos bonitos e, portanto, ornamentais. Esse que me venceu (por enquanto, pois amanhã será outro round) é roxo, com detalhes verdes. Fica alto, bem vistoso.

Sinceramente não desconfiei de que ele me daria trabalho. Pensando bem, foi falta de atenção. No dia que eu trouxe a muda para casa, estávamos voltando de um passeio com o Argus e a Azula. Tentei arrancar a planta e não consegui. O João Pedro usou a força que Deus concedeu aos jovens saudáveis e fez uma mãe feliz.

Plantei o bonitão sem muita esperança que prosperasse. De um pezinho fez-se alguns outros e então uma grande touceira se formou. Os ventos fortes do bendito dia do tufão bomba que passou aqui perto derrubou parte da folhagem do capim e foi então que descobri quem era essa planta.

A força do João Pedro não foi suficiente para arrancá-la pela raiz. Eu queria deixar apenas um pé no quintal e como não foi possível, podamos. Três meses depois, lá está ele alto, lindo e metido a besta. Resolvi eu mesma dar um jeito. Podei os caules mais finos e depois os mais grossos. Até aí tudo bem. Para tentar retirar a raiz usei o enxadão e toda a força que adquiri nesses anos de vida. Parei antes de ter um piripaque.

Relacionei essa minha briga com o capim roxo com os hábitos que adquiri ao longo da vida e que tentei me livrar depois de algum tempo. Começa como algo inocente, simples, vai fazendo parte de mim e então quando me dou conta, já era, está ali plantado. Aprendi que para se desfazer de uma mania, mau hábito ou vício, no meu caso, o remédio é ir aos poucos. Um dia de cada vez.

Vou aplicar essa técnica no capim. Todo dia uma enxadada até ele se tornar apenas uma marca no solo do quintal. Como prêmio da minha vitória e controle, vou deixar uma muda no vaso para me lembrar de ter mais atenção com o que eu planto no jardim da minha casa e com o que eu cultivo dentro de mim.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *