A primeira a saber

Numa manhã de um distante 1995, desci do ônibus com cuidado e atenção. Antes do quinto passo, ouço: “Tia, o que é aquilo?”. Com o olhinhos bem abertos, meio surpresos e um tanto assustados, a menininha no meu colo queria saber o que era aquela estrutura tão grande e esquisita. Respondi: “É a sede do Tribunal do Trabalho, neném”. Recebi, como resposta, um olhar ainda mais curioso. Tentei explicar enquanto caminhávamos, ela no meu colo. Mais adiante, a garotinha se admirou do carrinho cheio de laranjas penduradas. “Eu gosto, tia!”. E tomamos um suco gelado.

Essa é uma das tantas lembranças que tenho da Kaká, minha primeira sobrinha e afilhada. Deve ter sido em abril de 1993 que o pai dela esteve em minha casa para contar que a Kárita, minha irmã, estava grávida. Eles eram namorados há alguns anos. Fui a primeira a saber da gravidez. Lembro do quanto chorei de alegria. Lembro também do dia que ela nasceu e fui desesperada para a maternidade. Quando vi aquela coisinha quase desmaiei de emoção. Esse amor de tia é um tipo de amor de mãe. E assim seguimos anos adiante com Kaká crescendo, indo para a escola, para a faculdade, para o mundo.

Há uma semana fui novamente a primeira saber de uma gravidez muito aguardada e me transportei para aquele dia há 29 anos. Agora era a Kaká quem me contava estar grávida. Ninguém sabia até então, era eu e ela – por WhatsApp, chorando com a feliz notícia.

Eu vou ser tia, mas me sinto avó. E não troco essa felicidade por nada.

Kaká e José, no morro Chico Mendes, em Ouro Preto d’Oeste

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