Quero minha saúde mental de volta

Sei que não posso esperar que o externo modifique meu interior, mas está muito difícil me manter tranquila diante de tudo o que está acontecendo no país (e que piorou nos últimos meses).

Como posso achar “que não é nada” associar meninas de 13, 14 anos a sexo? Ouvir um homem de 67 anos dizer que “pintou um clima” e relativizar; sendo que eu mesma fui vítima diversas vezes desse tipo de assédio porque era “grandinha” para a minha idade? Sendo que sou mulher e sei muito bem o que é ser mulher nesse mundo hostil a todas nós?

Como posso dizer “ah, mas homem é assim mesmo?” e fingir que não ouvi a maior autoridade do país afirmar que não são “contundentes” as denúncias de assédio sexual feitas por mulheres contra o chefe?

Como posso fingir todo o desprezo pela vida humana visto nesses últimos três anos? Como?

E o descaso com os programas sociais (que são de estado e não de governo), com a educação, com a ciência, com a pesquisa, com a Amazônia, com os povos originários e com tudo que temos construído desde a redemocratização do país há poucos 30 anos?

Já fui xingada por ser jornalista e minha profissão é atacada diariamente. Colegas meus revelam o que quem está no poder quer esconder. Isso foi assim desde sempre, independentemente do governo da ocasião. Mas neste atual mandato os ataques e os pedidos de censura superaram qualquer outro.

Cansei de apresentar fatos e perceber que muitos só se importam com o que vem no zap. São mentiras, declarações distorcidas feitas para enganar os incautos ou alimentar a torcida.

Cada um luta pelo que considera importante. Para mim, agora, é a Constituição de 1988. A verdadeira, não é essa que estão tentando subverter a interesses escusos.

E, além de tudo, eu quero minha saúde mental de volta.

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